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Defesa de Lulinha diz que parte da PF é 'instrumentalizada' por 'interesses políticos e eleitorais'

A resposta do time jurídico é dada após o ministro Flávio Dino, do STF autorizar a abertura de inquérito para investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Lulinha: filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é investigado por suposto envolvimento com olobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS (NELSON ALMEIDA / AFP/Getty Images)

Lulinha: filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é investigado por suposto envolvimento com olobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS (NELSON ALMEIDA / AFP/Getty Images)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 19h06.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou nesta terça-feira, 4, que tem denunciado a "instrumentalização de setores da polícia federal a serviço de interesses políticos e eleitorais", o que eles classificam como um "prejuízo da imparcialidade e legalidade". A resposta do time jurídico é dada após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de um terceiro pedido formalizado pela Polícia Federal (PF), autorizar a abertura de inquérito para investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O advogado do filho de Lula, Marco Aurélio Carvalho pediu em nota que "todos os órgãos responsáveis providências enérgicas contra vazamentos reiterados, seletivos e criminosos".

Ele tem negado o envolvimento de seu cliente nas irregularidades. "Ele comprovará, ao final, que não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade, assim como fez no inquérito das fraudes do INSS, em relação ao qual esperamos um já tardio arquivamento", escreveu o time jurídico de Lulinha nesta terça-feira.

O processo é sigiloso. O pedido formulado pela PF solicita a autorização para um grupo de pessoas que teriam negócios supostamente ilícitos em áreas do governo federal e que inclui Lulinha. A Polícia quer investigar se houve prática de tráfico de influência pelo filho do presidente em favor de empresas com as quais Lulinha teria parcerias.

Outro pedido feito ao ministro, e também acolhido, envolve supostos vazamentos ilegais de dados sigilosos em investigações da Polícia Federal. A solicitação foi feita pela defesa de Fábio Luís.

Inquéritos contra Lulinha

Na semana passada, o ministro André Mendonça, do STF, já havia autorizado a abertura de dois inquéritos com Lulinha como alvo. O ministro André Mendonça já autorizou a abertura de outros dois inquéritos contra o filho do presidente.

O primeiro deles investiga o suposto envolvimento do filho do presidente em uma operação para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, junto ao Ministério de Saúde em negócios que envolvem a venda de cannabis medicinal à rede pública de saúde.

O segundo inquérito autorizado por Mendonça envolve a suspeita de que Lulinha tenha favorecido um empresário junto à Dataprev, empresa estatal de tecnologia, e outros órgãos do governo.

Veja a nota da defesa de Lulinha na íntegra

Recebemos com absoluta tranquilidade a notícia de instauração de ainda mais um inquérito. Utilizaremos todas as oportunidades para esclarecer qualquer dúvida que porventura surja sobre as atividades pessoais e profissionais de Fábio Luís.

Ele comprovará, ao final, que não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade, assim como fez no inquérito das fraudes do INSS, em relação ao qual esperamos um já tardio arquivamento.

Temos confiança plena na condução serena e equilibrada do ministro Flávio Dino, jurista que admiramos e respeitamos. É importante dizer, entretanto, que pedimos a todos os órgãos responsáveis providências enérgicas contra vazamentos reiterados, seletivos e criminosos.

Temos denunciado a instrumentalização de setores da polícia federal a serviço de interesses políticos e eleitorais, em prejuízo da imparcialidade e legalidade que deveriam reger procedimentos criminais. Reconhecemos os esforços do Diretor-Geral da Polícia Federal para manter a harmonia da corporação, bem como sua independência e autonomia.

Essa instituição havia sido capturada por interesses privados do governo anterior, notadamente pelo líder do executivo, para proteção de seus filhos, asseclas e milicianos que ocuparam o governo do país.

Uma vez reconquistadas, a independência e autonomia desse órgão de estado devem ser praticadas com responsabilidade e observância dos regramentos constitucionais e legais. Não podemos permitir que interesses não republicamos e externos contaminem procedimentos investigativos ou o próprio processo eleitoral.

Em uma democracia de dimensões continentais, investigações devem ser imparciais e eleições devem ser decididas com votos.

Repercussão na campanha

Membros da cúpula do PT  e aliados do presidente Lula temem a repercussão das investigações sobre Lulinha na campanha presidencial, embora considerem as suspeitas, até o momento, especulativas. As declarações de Lula de que o filho terá de pagar à Justiça se for comprovado seu envolvimento com algum delito são consideradas efetivas para mitigar o impacto político negativo das investigações.

"Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado, um juiz, não fazer as coisas corretas", afirmou Lula na semana passada.

Na avaliação de integrantes da campanha, essa posição permite a Lula estabelecer um contraste com a postura adotada por Jair Bolsonaro diante das suspeitas e investigações que envolveram seus filhos.

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