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Em 20 dias de campanha, Lula fica mais em Brasília e Flávio concentra agendas em SP e Rio

Lula concentrou compromissos em Brasília, enquanto Flávio priorizou o Sudeste. Veja por onde os candidatos estiveram e o que a estratégia indica para a eleição.

Eleições 2026: Lula e Flávio focam estratégias diferentes para conquistar eleitores (Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr)

Eleições 2026: Lula e Flávio focam estratégias diferentes para conquistar eleitores (Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr)

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 6 de setembro de 2026 às 09h00.

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A agenda dos primeiros 20 dias de campanha presidencial de 2026 mostra estratégias diferentes entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais.

Enquanto Lula permaneceu mais tempo em Brasília cumprindo compromissos oficiais e de campanha, Flávio concentrou viagens e atos no Sudeste, principalmente no Rio de Janeiro, estado pelo qual é senador federal.

O levantamento considerou os compromissos oficiais anunciados pelas assessorias de imprensa de cada presidenciável, e aqueles disponíveis nos sites oficiais de suas campanhas. O período analisado foi de 16 a 31 de agosto.

A diferença, porém, não está apenas nos locais visitados. As agendas também revelam formatos distintos de campanha.

Lula combinou compromissos institucionais como presidente com atos políticos, enquanto Flávio apostou principalmente em carreatas, motociatas, comícios e eventos com aliados.

Onde Lula mais esteve nos primeiros dias de campanha?

Lula cumpriu 17 compromissos entre 16 e 31 de agosto. Desse total, nove foram eventos institucionais do governo, e a capital federal foi o destino mais frequente.

  • Brasília (DF): ficou 7 dos 16 primeiros dias, concentrando a maior parte da agenda institucional.;
  • Amapá: visita técnica ao navio-sonda usado na exploração de petróleo na Foz do Amazonas, dentro da pauta de soberania energética;
  • São Paulo: visita ao Centro Experimental Aramar, em Iperó, ligado ao programa nuclear brasileiro, e lançamento oficial da candidatura, em 16 de agosto, no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, palco de mobilizações do movimento sindical metalúrgico no fim dos anos 1970;
  • Belo Horizonte: esteve em campanha na Praça da Estação, na região central da capital mineira;
  • Rio Grande do Norte: visita a um supercomputador ligado ao programa de soberania tecnológica do governo federal.
  • Rio de Janeiro: subiu ao palanque do prefeito Eduardo Paes (PSD) em ato de campanha;
  • Salvador (BA): participou de evento ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Além das visitas técnicas, Lula usou o período para anunciar medidas de impacto direto no bolso do consumidor, como o decreto que regulamenta a fiscalização do cambismo digital na venda de ingressos e a isenção da taxa de importação para compras internacionais de até US$ 50, conhecida como "taxa das blusinhas".

As duas medidas miram, principalmente, o eleitor de renda mais baixa, público em que o presidente registra os melhores índices nas pesquisas, segundo a pesquisa Real Time Big Data de julho.

Onde Flávio Bolsonaro mais esteve nos primeiros dias de campanha?

A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, priorizou a mobilização de rua e o fortalecimento da base conservadora.

O candidato estreou a campanha em um trio elétrico na Praia de Copacabana e, desde então, tem alternado entre São Paulo, Rio de Janeiro e cidades do interior nordestino. A agenda oficial da campanha mostra os compromissos até esta quinta-feira, 4 de setembro.

  • Rio de Janeiro: carreata pela Baixada Fluminense, motocarreata e barqueata em Angra dos Reis, entrevista ao Jornal Nacional e presença no lançamento da candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do estado, no Maracanãzinho;
  • São Paulo: reunião na sede da Fiesp e presença no evento Veja Top 30 Melhores Empresas do Brasil, na capital; Festa do Peão de Boiadeiro, em Barretos; e, já em setembro, comício e visita a um hub de inovação em São Carlos;
  • Alagoas: em Maceió, participou da celebração dos 111 anos da Assembleia de Deus no estado e se reuniu com empresários locais; em Arapiraca, fez motociata, comício e encontro com o setor produtivo do Agreste e do Sertão.
  • Minas Gerais: motociata pelo estado, formato de mobilização associado ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • Mato Grosso: visita a uma área de produção agrícola e reunião com produtores rurais e lideranças indígenas em Campo Novo do Parecis.

Flávio também dedicou parte da agenda à pauta de segurança pública, com uma reunião com o ministro da Justiça de El Salvador, país que se tornou referência internacional para o discurso de combate ao crime organizado da direita brasileira.

Enquanto Lula priorizou agenda de governo, Flávio concentrou o discurso em mobilização de rua e aproximação com lideranças religiosas e empresariais, mirando segmentos em que já lidera nas pesquisas.

Segundo a pesquisa BTG/Nexus de segundo turno divulgada em junho, Flávio tem 59% das intenções de voto entre evangélicos, contra 34% de Lula, que, por sua vez, lidera entre católicos, em um eventual segundo turno.

O que as agendas revelam sobre a estratégia de Lula e Flávio

Esse desenho ajuda a explicar as escolhas das campanhas. Lula passou pela Bahia, em uma região onde tem 33 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro, mas também fez campanha em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, dois dos três maiores colégios eleitorais do país. Nos dois estados, a disputa aparece mais apertada, com levantamentos mostrando empate técnico ou vantagem para o senador do PL.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentrou compromissos em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de visitar Minas Gerais. Nesses estados, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem vantagem sobre o Lula, segundo as últimas pesquisas. A expectativa é que a maior presença possa aumentar a diferença e dar vantagem para o senador.

O Sudeste reúne 66,3 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, ou 41,78% do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Acompanhe tudo sobre:Eleições 2026

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