Reclamações ligadas a mobilidade aumentaram 14,23% no último ano (Marcos Santos/USP Imagens/Agência USP)
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 17h47.
Uma análise do Instituto Corrida Amiga mostrou que 44% dos semáforos da cidade de São Paulo liberam a travessia dos pedestres por cinco segundos. O intervalo curto é considerado insuficiente para pessoas com mobilidade reduzida, idosos e crianças.
Para a diretora do instituto, Silvia Stuchi, os intervalos utilizados não atendem às normas.
Segundo parâmetros do Estatuto do Pedestre, 80% das travessias não oferecem um tempo seguro para idosos e 90% não são suficientes para crianças e pessoas com deficiência
Uma das vias mencionadas no levantamento do instituto é o cruzamento da Avenida Paulo VI com a Rua Lisboa, na Zona Oeste.
O estudo indica que os semáforos inteligentes conseguem ajustar o tempo de liberação de acordo com o fluxo de veículos, transeuntes e bicicletas.
Porém, na prática, a liberação para travessia durou de cinco a sete segundos e o tempo de espera para os pedestres chegou a cerca de dez minutos.
Além da Avenida Paulo VI, o instituto também destaca outras três passagens.
Nos três pontos, cidadãos e moradores que transitam com frequência se queixam da falta de segurança e tempo insuficiente para travessia.
Dados do SP1 mostram que a situação incomoda cada vez mais os pedestres.
Entre janeiro e setembro de 2025, foram 2.127 reclamações, 14,23% a mais do que no mesmo período no ano anterior.
Ainda assim, a pressão popular não foi suficiente para grandes mudanças.
Em um ano, o tempo médio de sinal verde para pedestres aumentou de 4,7 segundos para 5,8 segundos.
O Instituto Corrida Amiga também mostra que o tempo médio de espera diminuiu de dois minutos para um minuto e 38 segundos no último ano.
Mesmo com essa redução, em mais da metade das travessias o tempo de espera ainda é superior a 90 segundos.
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os tempos de passagem são determinados de acordo com a largura da via. A duração pode aumentar em alguns casos e também existe a possibilidade de criar mais faixas de pedestre.
Em nota, a companhia afirma que o mesmo modelo de semáforo é utilizado na Avenida Rebouças, na Rua Maria Paula e no cruzamento da Avenida João Dória — citadas acima.
O órgão explica que as equipes técnicas vão vistoriar os equipamentos e verificar a funcionalidade.