EXAME Agro

'Fim da escala 6x1 será trágico para o agro', diz setor de milho

Segundo Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, decisão sobre a escala de trabalho não deve ser tomada 'do dia para a noite'

Paulo Bertolini, presidente da Abramilho: "Além de empobrecer o Brasil, trazer comida mais cara, risco de desabastecimento, perda de renda e perda de riqueza, isso não é um debate para uma decisão ser tomada do dia para a noite", afirmou em entrevista à EXAME durante o 4º Congresso da Abramilho.

Paulo Bertolini, presidente da Abramilho: "Além de empobrecer o Brasil, trazer comida mais cara, risco de desabastecimento, perda de renda e perda de riqueza, isso não é um debate para uma decisão ser tomada do dia para a noite", afirmou em entrevista à EXAME durante o 4º Congresso da Abramilho.

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 13 de maio de 2026 às 13h06.

Última atualização em 13 de maio de 2026 às 14h16.

BRASÍLIA* — O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, disse nesta quarta-feira, 13, que o fim da escala 6x1 pode prejudicar o agronegócio brasileiro. Segundo o executivo, a decisão sobre a escala de trabalho não deve ser tomada 'do dia para a noite'.

"Seria trágico isso acontecer. Além de empobrecer o Brasil, trazer comida mais cara, risco de desabastecimento, perda de renda e perda de riqueza, isso não é um debate para uma decisão ser tomada do dia para a noite", afirmou em entrevista à EXAME durante o 4º Congresso da Abramilho.

Nesta quarta, representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) fecharam o acordo sobre o modelo legislativo a ser adotado para a redução da escala 6x1.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita no Congresso vai estabelecer a redução da jornada das 44 horas semanais atuais para 40 horas, com duas folgas obrigatórias por semana e sem redução de salários.

O relator da matéria na comissão especial sobre o fim da escala 6x1 na Câmara, Leo Prates (Republicanos-BA) afirmou que não há, ainda, acordo sobre regra de transição. Oficialmente, o governo Lula queria aplicação imediata, mas aceita negociar uma transição curta, idealmente de 90 dias.

Segundo Bertolini, o agronegócio não tem a possibilidade de diminuir a escala justamente porque o setor demanda muita mão de obra.

"Nós trabalhamos sete dias por semana, 24 horas. Quem tem leite, quem tem suínos, sabe disso. O agro demanda muita mão de obra e nós já temos mais de 30 milhões de pessoas empregadas na cadeia do agro", disse.

Na avaliação do presidente da Abramilho, sem uma análise aprofundada sobre o tema, o país corre o risco de ter inflação.

"Além de encarecer mais a produção, isso vai fazer com que o custo dessa produção, no prato dos brasileiros, fique mais caro", afirmou.

Jornada de trabalho

O governo Lula defende publicamente a redução da jornada máxima, das atuais 44 horas semanais previstas na Constituição, para 40 horas, com aplicação imediata.

Já as duas propostas de emenda à Constituição que servem de base para os trabalhos da comissão, de autoria dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Érika Hilton (PSOL-SP), preveem jornada de 36 horas semanais.

A proposta do petista estabelece um período de transição de dez anos, enquanto a da parlamentar do PSOL prevê implementação imediata.

* O repórter viajou a convite da Abramilho

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