Brasil

Governo e Câmara alinham proposta para reduzir jornada de trabalho para 40 horas

Hugo Motta (Republicanos-PB) citou publicamente 'modelo de transição'

Carteira de Trabalho (Gustavo Mellossa/Getty Images)

Carteira de Trabalho (Gustavo Mellossa/Getty Images)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 7 de maio de 2026 às 13h47.

O parecer a ser votado pela comissão especial que debate o fim da escala 6x1 na Câmara deve propor a redução de jornada padrão de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas, em linha com o defendido pelo governo Lula, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela EXAME.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer colocar o tema em votação no plenário ainda no mês de maio e defendeu publicamente a discussão sobre um modelo de transição para a redução da jornada de trabalho. A proposta do governo é a redução da jornada com aplicação imediata.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, tem negociado diretamente com o relator da matéria, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Após ter participado da reunião da comissão na quarta-feira, Marinho compareceu pessoalmente à primeira audiência pública do colegiado, realizada em João Pessoa, reduto eleitoral de Motta. Nas próximas semanas, a comissão também vai realizar reuniões em São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Na reunião na Paraíba, o presidente da Câmara sinalizou que o projeto de lei enviado pelo governo pode ser utilizado para regulamentar a proposta de emenda à Constituição (PEC) a ser votada pela Câmara. Oficialmente, o tema vai ser decidido na semana que vem.

A jornalistas, Motta afirmou que tem dito às entidades patronais que não adianta apostar na não votação da PEC.

"Para aqueles que não queiram a mudança, procrastinar talvez seja uma estratégia. Já deixei claro para os setores produtivos. Tenho deixado muito precisa essa informação, que apostar na não votação é a certeza de que eles vão se decepcionar. É muito melhor sentar à mesa e negociar o texto", ressaltou.

6x1: modelo de transição

O presidente da Câmara sinalizou que haverá uma transição.

"Precisamos entender a forma e qual vai ser o modelo de transição. Precisamos ouvir os setores produtivos para que, na particularidade de cada setor, a gente tenha condição de poder trazer o impacto danoso menor possível. Não queremos impactar negativamente absolutamente ninguém", disse.

O presidente da Câmara também rebateu a relação entre a pauta e o período eleitoral.

"É um debate que não foi criado nem inventado porque estamos em ano eleitoral, é uma pauta que já vem de muitos anos. Desde o ano passado, começamos a elencar prioridades. Sinto dentro da Câmara dos Deputados um ambiente muito favorável para a aprovação dessa proposta de emenda à Constituição", afirmou. "Talvez (com) unanimidade."

Acompanhe tudo sobre:Governo LulaJornada de trabalhoEscala de trabalho

Mais de Brasil

Governo anuncia novas regras para bets com alerta sobre vício em jogo

Anvisa atualiza vacinas contra Covid para acompanhar novas variantes

Projeto que sobe teto de faturamento de MEIs e empresas do Simples é adiado; saiba por quê

Acredito que Cleitinho estará comigo, diz governador de Minas sobre disputa à reeleição