Agricultura regenerativa: o que é e por que sua adoção ainda anda a passos lentos no agronegócio (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 7 de julho de 2026 às 17h57.
Última atualização em 7 de julho de 2026 às 17h58.
O termo "agricultura regenerativa" tem ganhado espaço nas discussões sobre o futuro da produção agrícola, mas seu avanço prático ainda esbarra em um problema recorrente: grande parte dos produtores não domina o que a prática envolve, nem quais resultados esperar dela. Estudos do setor apontam essa lacuna — mais do que falta de interesse — como o principal motivo pelo qual a transição para modelos regenerativos avança de forma gradual.
Agricultura regenerativa é um conjunto de práticas de manejo voltado a recuperar e manter a saúde do solo, tratando-o como um sistema vivo que precisa de matéria orgânica e biodiversidade continuamente reabastecidas. Diferencia-se da agricultura de precisão, que reúne tecnologias — sensores, imagens de satélite, softwares — usadas para otimizar decisões em qualquer sistema produtivo, regenerativo ou não.
Na prática, os dois conceitos se complementam: ferramentas de precisão costumam apoiar o planejamento e o monitoramento das práticas regenerativas.
Entre os princípios que orientam o modelo estão a redução do revolvimento do solo, o uso de plantas de cobertura, o aumento da biodiversidade por rotação de culturas, a integração entre lavoura e pecuária e a aplicação de insumos orientada por dados.
A transição exige competências que vão além do manejo convencional — controle biológico de pragas, plantio com mínimo revolvimento do solo, planejamento de rotações de longo prazo. Sem capacitação estruturada, a migração tende a ficar restrita a quem já tem contato prévio com o tema.
A transição costuma exigir desembolso nos primeiros anos, período em que a produtividade pode cair antes de se recuperar — barreira relevante para produtores sem margem financeira para absorver essa fase.
Diferentemente de selos como o de agricultura orgânica, a certificação regenerativa ainda é fragmentada, com critérios distintos entre certificadores, o que dificulta que o produtor saiba o que precisa comprovar.
Solos manejados de forma regenerativa tendem a reter mais água e nutrientes, sustentando produtividade mesmo em condições climáticas adversas. A capacidade de sequestrar carbono também abre espaço para créditos de carbono, negociados em mercados voluntários.
Já a aplicação de insumos orientada por dados tende a reduzir custos com fertilizantes e defensivos. Esses ganhos, porém, se consolidam no médio e longo prazo — por isso a clareza sobre prazos é essencial antes de iniciar a transição.
Reduzir essa lacuna de conhecimento é o próximo passo para acelerar a adoção — e é justamente para isso que eventos do setor têm dedicado espaço ao tema. O EXAME SuperAgro 2026, marcado para 11 de agosto, em São Paulo, reserva um painel exclusivo a "Práticas regenerativas para aumentar eficiência e resiliência no campo", ao lado de debates sobre transição energética, rastreabilidade digital e desafios climáticos.
O evento é gratuito, presencial, e reúne diversos especialistas. Voltado a executivos, produtores rurais, indústria e fornecedores de insumos e tecnologia.