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Amaggi compra 40% da FS, gigante do etanol de milho

O movimento ocorre em um contexto de expansão acelerada do etanol de milho no Centro‑Sul do Brasil

Planta da FS no Mato Grosso (Divulgação)

Planta da FS no Mato Grosso (Divulgação)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 13 de maio de 2026 às 21h23.

Última atualização em 13 de maio de 2026 às 21h29.

A Amaggi anunciou nesta quarta‑feira a compra de 40% da FS, uma das maiores produtoras de etanol de milho do Brasil. A operação inclui um aporte de US$ 100 milhões e por meio da emissão primária de ações, com entrada de novos recursos na FS, além da compra de participações de acionistas atuais.

O valor total da transação não foi divulgado. Com o negócio, a Amaggi — tradicional gigante do agronegócio com atuação em grãos, logística e exportação — amplia sua presença em um mercado em expansão e com participação crescente na matriz de combustíveis renováveis do país.

A FS foi pioneira na produção de etanol exclusivamente à base de milho no Brasil, iniciando suas operações em 2017. Atualmente, a empresa tem três usinas no Mato Grosso, com capacidade conjunta de aproximadamente 2,5 bilhões de litros por ano.

A companhia também está construindo uma quarta unidade industrial em Campo Novo do Parecis (MT), com início de operação previsto para o fim de 2026. A nova planta deve adicionar cerca de 600 milhões de litros anuais, elevando a capacidade total para 3,2 bilhões de litros de etanol por ano.

Expansão do etanol de milho

O movimento ocorre em um contexto de expansão acelerada do etanol de milho no Centro‑Sul do Brasil. Segundo a União da Indústria de Cana‑de‑Açúcar e Bioenergia (Unica), o combustível respondeu por 27% da produção total de etanol da região na safra 2025/26. O crescimento do segmento também é impulsionado por investimentos de empresas como a Inpasa.

Além da expansão industrial, a FS tem investido em tecnologias de descarbonização. Em setembro, a empresa inaugurou, em Lucas do Rio Verde (MT), sua primeira unidade de captura e armazenamento de carbono, com capacidade para estocar 423 mil toneladas anuais de CO₂.

Segundo a companhia, a iniciativa permitirá que a FS se torne a primeira produtora de combustível carbono negativo do mundo.

O negócio foi protocolado no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ainda depende da aprovação das autoridades concorrenciais brasileiras para ser concluído.

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