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Xbox pode perder três estúdios premiados em nova reestruturação

Estúdios responsáveis por Hellblade, Psychonauts e South of Midnight tentam evitar o fechamento em meio à reestruturação liderada por Asha Sharma

Xbox: divisão passa por crise na Microsoft (Emanuele Cremaschi/Getty Images)

Xbox: divisão passa por crise na Microsoft (Emanuele Cremaschi/Getty Images)

Publicado em 15 de junho de 2026 às 18h24.

Três dos estúdios mais premiados da divisão de jogos da Microsoft estão em negociações para se separar do Xbox antes de serem fechados.

A Compulsion Games, de Montreal, a Double Fine, de San Francisco, e a Ninja Theory, de Cambridge, na Inglaterra, estão em conversas ativas com o Xbox para tentar uma saída independente, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar com a imprensa.

A possibilidade em discussão é que os próprios estúdios comprem de volta suas operações do Xbox e sigam como empresas independentes.

Mesmo assim, demissões em massa são consideradas inevitáveis na maioria dos cenários, segundo a Bloomberg.

Funcionários de vários estúdios já foram informados da situação e receberam permissão para buscar novas oportunidades de emprego, mas foram avisados de que o status das empresas ainda pode mudar.

Quem são os estúdios em risco?

Os três estúdios têm histórico de jogos premiados que não se traduziram em sucesso comercial.

A Compulsion Games é responsável pelo South of Midnight, lançado no ano passado. A Double Fine, conhecida pela série Psychonauts, lançou os títulos menores Keeper e Kiln nos últimos meses. A Ninja Theory é a criadora de Hellblade, série aclamada pela crítica mas de apelo restrito.

O padrão é o mesmo nos três casos: qualidade artística reconhecida, base de fãs fiel e resultados financeiros abaixo das expectativas da Microsoft.

E segundo a Bloomberg, mesmo alguns estúdios comercialmente mais bem-sucedidos do portfólio do Xbox ainda não sabem como se encaixarão na nova estratégia da empresa.

A reestruturação de Asha Sharma

Os fechamentos potenciais fazem parte de uma reorganização ampla sob comando de Asha Sharma, que assumiu como CEO do Xbox em fevereiro de 2026.

Na semana passada, a Bloomberg já havia reportado que a divisão planeja demissões significativas. Sharma enviou um memorando interno reconhecendo o estado crítico do negócio, com receita e margens em queda nos últimos anos. "No futuro, isso não pode continuar", escreveu.

A nova estratégia prioriza as maiores franquias do portfólio — Call of Duty, Halo, Forzae abandona a lógica anterior de manter um grande número de estúdios produzindo títulos de nicho. É uma mudança de modelo que coloca em risco exatamente os estúdios que o Xbox adquiriu para diversificar seu catálogo.

Craig Duncan, chefe dos Xbox Game Studios, deixou o cargo na semana passada, antes do anúncio das demissões, segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg. A saída havia sido reportada anteriormente pela newsletter especializado The Game Business.

O paradoxo da aquisição da Activision

A crise chega num momento paradoxal. O Xbox enfrenta dificuldades apesar de ter concluído em 2023 a maior aquisição da história dos videogames: a compra da Activision Blizzard por US$ 69 bilhões.

O negócio trouxe franquias como Call of Duty, World of Warcraft e Candy Crush, mas não impediu a queda de receita e margens que levou Sharma a decretar a reestruturação.

O resultado é uma divisão que gastou dezenas de bilhões de dólares para construir um portfólio amplo de estúdios — e agora está descartando parte dele para sobreviver.

Para os funcionários da Compulsion, Double Fine e Ninja Theory, a chance de comprar de volta a própria empresa pode ser a única saída antes do fechamento.

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