Tecnologia

Por que a Nikon virou a câmera oficial das missões Artemis

Histórico que começou em 1971 e resistência a condições extremas colocam a marca japonesa no centro das imagens da nova corrida lunar

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 7 de abril de 2026 às 09h48.

A escolha da Nikon pela NASA para as missões Artemis não é recente nem casual. A parceria entre as duas instituições remonta a 1971, durante a missão Apollo 15, quando câmeras da fabricante japonesa foram usadas pela primeira vez no espaço. Desde então, a relação evoluiu de testes pontuais para um acordo estratégico contínuo em missões orbitais e, agora, lunares.

Ao longo das décadas, a Nikon consolidou sua presença em ambientes extremos, especialmente na Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês para International Space Station), onde seus equipamentos são utilizados desde 1999. Esse histórico criou um padrão de confiabilidade que pesa mais do que a adoção de tecnologias mais recentes. Em missões espaciais, falhas não são toleráveis, o que favorece equipamentos já amplamente testados.

No caso da Artemis II, missão orbital realizada em abril de 2026, a NASA optou por um modelo lançado uma década antes: a Nikon D5. A câmera foi escolhida por sua resistência comprovada à radiação em órbitas profundas e capacidade de operar em condições de luz extrema, com ISO que chega a 3.280.000. A decisão evidencia uma lógica recorrente na agência: priorizar robustez e previsibilidade em detrimento de inovação não testada.

Astronautas da missão Artemis II utilizam a Nikon D5, escolhida pela NASA por sua resistência comprovada à radiação e capacidade de operar em condições extremas de luz no espaço. (Divulgação)

Já para a missão Artemis III, que pretende levar astronautas de volta à superfície da Lua, a NASA formalizou em 2024 um Acordo de Lei Espacial com a Nikon. O objetivo é desenvolver a HULC, sigla para Handheld Universal Lunar Camera, uma câmera portátil universal lunar baseada na Nikon Z9, adaptada para operar diretamente no ambiente lunar.

Essa versão modificada incorpora ajustes estruturais e eletrônicos. Entre eles estão proteção contra radiação cósmica, funcionamento no vácuo e tolerância a variações extremas de temperatura. O equipamento também recebe um grip personalizado para uso com luvas espaciais e uma manta térmica que estabiliza seu funcionamento.

Por que a Nikon — e não outra marca

A escolha pela Nikon reflete menos uma disputa de mercado e mais uma continuidade técnica. Diferentemente do setor de consumo, onde inovação rápida é valorizada, o ambiente espacial exige certificação rigorosa e histórico operacional consistente. Empresas concorrentes, como a Canon, também já participaram de missões, mas não mantiveram a mesma presença contínua em operações críticas da NASA.

Além disso, há um fator institucional: acordos como o firmado para a HULC permitem colaboração direta no desenvolvimento de hardware, algo essencial para adaptar produtos comerciais a condições fora da Terra. Esse modelo reduz custos de desenvolvimento e acelera a implementação.

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