Os astronautas Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen se despedem de familiares e amigos no Kennedy Space Center, na Flórida, antes do embarque na missão Artemis II, primeiro voo tripulado do programa lunar da Nasa em uma viagem de dez dias ao redor da Lua. (Getty Images)
Repórter
Publicado em 1 de abril de 2026 às 18h03.
Última atualização em 1 de abril de 2026 às 18h38.
A missão Artemis II não vai pousar na Lua, mas é etapa essencial para validar o retorno humano ao satélite após mais de 50 anos. A viagem, semelhante à Apollo 8, servirá como teste completo dos sistemas antes do pouso previsto na Artemis III.
O objetivo central do programa é mais amplo: estabelecer uma presença sustentável na Lua, especialmente no polo sul, região com acumulos de gelo — recurso estratégico para água e combustível.
A Lua passa a ser tratada como plataforma intermediária para missões a Marte, segundo a NASA. A ideia é testar tecnologias, logística e permanência humana fora da Terra por longos períodos.
Os astronautas Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen se despedem de familiares e amigos no Kennedy Space Center, na Flórida, antes do embarque na missão Artemis II, primeiro voo tripulado do programa lunar da Nasa em uma viagem de dez dias ao redor da Lua.
Além da exploração científica, o Artemis incorpora dimensões políticas e econômicas. A missão envolve múltiplos países e empresas privadas, criando um modelo de governança mais distribuído.
A expectativa é construir uma base lunar permanente e uma estação orbital, a Gateway, ao longo da próxima década. Esse conjunto permitiria missões recorrentes e experimentos contínuos.
Também há um componente simbólico: a Artemis II levará a primeira mulher, um astronauta negro e um canadense à órbita lunar, ampliando a representatividade em missões espaciais.
A NASA aponta três pilares para o programa: descoberta científica, segurança nacional e oportunidade econômica. Na prática, isso inclui desde mineração de recursos até testes de tecnologias para exploração profunda.
Ao mesmo tempo, há ceticismo sobre prazos e dependência do setor privado. O sucesso da missão depende, por exemplo, do desenvolvimento do módulo de pouso, ainda em andamento.
Mesmo assim, a agência aposta no impacto geracional. A expectativa é que o programa reative o interesse público pela exploração espacial — algo que não se via desde o fim da era Apollo.
Para além do receio com prazos e dependências, o Artemis enfrenta críticas por estouros orçamentários. O programa está anos atrás do cronograma original, o que levanta dúvidas sobre sustentabilidade financeira.
Também há pressão geopolítica: a corrida com a China, que planeja missões lunares tripuladas até 2030, tem acelerado decisões e prazos dentro da NASA.