John Ternus: executivo se torna CEO da Apple nesta terça-feira, 1º (Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 04h59.
John Ternus assume nesta terça-feira, 1º de setembro, o cargo de CEO da Apple, encerrando os 15 anos de gestão de Tim Cook à frente da empresa.
Cook passa a ocupar a posição de presidente executivo do conselho de administração, com o objetivo declarado de auxiliar em frentes específicas da companhia, incluindo relacionamento com formuladores de políticas públicas ao redor do mundo.
Ternus também passa a integrar o conselho de administração a partir da mesma data — enquanto Arthur Levinson, que já ocupava a presidência não executiva do conselho havia 15 anos, se torna diretor independente líder.
A sucessão foi anunciada em abril, aprovada de forma unânime pelo conselho, resultado de um processo de planejamento de longo prazo. "Tem sido o maior privilégio da minha vida ser CEO da Apple e ter tido a confiança de liderar uma empresa tão extraordinária", disse Cook, em comunicado da Apple à época.
Ternus se torna o oitavo CEO da história da Apple, continuando uma tradição da empresa de promover executivos internos para o cargo mais alto.
Ele entrou na companhia em 2001, e seu primeiro projeto foi o Apple Cinema Display, um monitor de plástico — bem distante do centro das atenções que ocupa agora.
Ao longo de duas décadas e meia, supervisionou o desenvolvimento de hardware de produtos como iPad, AirPods, Mac e os iPhones mais recentes, tendo papel central, segundo a imprensa americana, na revitalização da linha de computadores Mac.
Também liderou iniciativas ligadas à durabilidade, capacidade de reparo e uso de materiais com menor pegada de carbono nos produtos da empresa.
Antes de entrar na Apple, trabalhou como engenheiro mecânico na Virtual Research Systems, com formação em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia.
A data da transição dificilmente poderia ser mais dramática. Oito dias depois de assumir o cargo, Ternus deve subir ao palco pela primeira vez como CEO, no tradicional evento de lançamento de produtos da Apple, marcado para 9 de setembro.
O destaque esperado é o primeiro iPhone dobrável da história da empresa, ao lado dos novos modelos iPhone 18 Pro e Pro Max. Segundo vazamentos recentes, o aparelho dobrável deve fechar em um formato de cerca de 5,5 polegadas e abrir para uma tela de aproximadamente 7,8 polegadas — proporções próximas às de um iPad mini.
Ternus assume o cargo logo depois de um trimestre robusto: no período encerrado em junho, a Apple reportou receita de US$ 109,4 bilhões, alta de 16,4% em relação ao ano anterior, e lucro líquido de US$ 29,8 bilhões, ante US$ 23,4 bilhões no mesmo trimestre do ano passado.
A receita do iPhone bateu recorde para o trimestre de junho, em US$ 54,3 bilhões (alta de 22%), assim como a receita do Mac, em US$ 10,4 bilhões (alta de 29%).
A orientação para o trimestre seguinte, porém, é mais cautelosa. A Apple já sinalizou desaceleração no crescimento de receita, para uma faixa entre 9% e 11%, citando restrições de fornecimento em iPhone, Mac e iPad, além de um impacto cambial de 2,5 pontos percentuais.
Ou seja, Ternus não herda um momentum totalmente limpo, mas uma desaceleração já anunciada pelo próprio antecessor.
O maior desafio de Ternus à frente da Apple é revitalizar a estratégia de inteligência artificial (IA) da empresa, hoje considerada atrasada em relação a rivais como Google e Samsung.
A companhia enfrentou sucessivos atrasos no desenvolvimento de uma versão renovada da Siri, e recorreu, em janeiro deste ano, a uma parceria com o Gemini, modelo de IA do Google, para sustentar o relançamento do assistente de voz. Analistas de Wall Street enxergam a chegada de Ternus como um possível catalisador para reacender o otimismo em torno da estratégia de IA da empresa.