O primeiro trilionário: Musk pode alcançar posição única no mundo das super riquezas (Andrew Harnik / Equipe/Getty Images)
Repórter
Publicado em 2 de abril de 2026 às 10h20.
A possível abertura de capital da SpaceX com valuation próximo de US$ 1,75 trilhão não impactaria apenas o mercado financeiro — teria efeito direto sobre a fortuna de Elon Musk. Dependendo da fatia considerada, o empresário poderia concentrar entre US$ 735 bilhões e US$ 770 bilhões apenas na empresa combinada com a xAI. O movimento colocaria seu patrimônio total em um patamar inédito, potencialmente acima da marca de US$ 1 trilhão.
As estimativas de mercado indicam que Musk detém entre 42% e 44% da companhia, considerando a estrutura após a incorporação da xAI, startup de inteligência artificial. Aplicando essa participação ao valuation projetado, chega-se a dois cenários principais: cerca de US$ 735 bilhões (com 42%) ou até US$ 770 bilhões (com 44%). A diferença de poucos pontos percentuais representa dezenas de bilhões de dólares, evidenciando o grau de sensibilidade dessas projeções.
O dado ganha relevância quando comparado a estimativas anteriores. Uma avaliação anterior já apontava que a fatia de Musk valeria cerca de US$ 426 bilhões antes desse novo cenário de IPO. Com a nova projeção, esse número saltaria para até US$ 770 bilhões. Na prática, isso implicaria um ganho potencial de aproximadamente US$ 344 bilhões, valor que sozinho supera o patrimônio total de muitos bilionários globais.
Esse salto não seria apenas simbólico. Ele mudaria a escala das discussões sobre concentração de riqueza no setor de tecnologia. Até agora, mesmo os empresários mais ricos do mundo operam abaixo da faixa de US$ 300 bilhões a US$ 400 bilhões em patrimônio líquido. Um avanço para além de US$ 1 trilhão colocaria Musk em uma categoria isolada, ainda que fortemente dependente da precificação de ativos não totalmente líquidos.
Também é relevante observar que esse crescimento não viria necessariamente de geração direta de caixa, mas de valorização de participação acionária. Ou seja, trata-se de riqueza em grande parte “no papel”, vinculada ao desempenho das ações após o IPO e às expectativas do mercado sobre os negócios da empresa.
O tamanho da operação reforça um ponto já observado em outros momentos do mercado: valuations extremos tendem a ampliar tanto o potencial de ganho quanto o risco de reprecificação. No caso da SpaceX, a justificativa para um valor tão elevado está na combinação de negócios — lançamentos espaciais, Starlink, rede de internet via satélite, e inteligência artificial.
Ainda assim, há um descompasso entre receita atual e valor projetado. Atualmente, o faturamento próximo de US$ 20 bilhões em 2026, o que implicaria múltiplos elevados para sustentar a avaliação de US$ 1,75 trilhão. Esse tipo de relação costuma depender mais de expectativa futura do que de resultados consolidados.
Outro fator que entra na conta é a estrutura de controle. Caso a empresa adote ações com classes diferentes, prática comum em empresas de tecnologia, Musk poderá manter influência decisiva mesmo após a abertura de capital. Isso preserva a estratégia de longo prazo, mas limita o poder de novos acionistas.