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(Wikimedia Commons/Fundo gerado por IA/Exame)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 14h23.
Última atualização em 17 de agosto de 2026 às 14h38.
A Nvidia concordou em destinar até US$ 105 bilhões para viabilizar um novo complexo de data centers em Ohio que será alugado pela OpenAI. O acordo, anunciado nesta segunda-feira, 17, é o maior arranjo desse tipo já feito pela fabricante de chips e aprofunda a interdependência entre as duas empresas que mais movimentam o boom da inteligência artificial.
Pelo acerto, a dona do ChatGPT garante acesso a até 8 gigawatts de capacidade computacional no complexo do condado de Pike, com os primeiros 800 megawatts previstos para entrar em operação até 2028. Para dimensionar: um único gigawatt basta para abastecer até 750 mil residências americanas simultaneamente.
Somadas às compras já contratadas, as aquisições de equipamentos da OpenAI podem representar cerca de US$ 600 bilhões em receita para a Nvidia até 2030, número que ajuda a explicar por que a empresa mais valiosa do mundo aceitou emprestar a força do próprio balanço a um projeto que não é seu.
O anúncio chega em meio à desconfiança crescente do mercado com os chamados acordos circulares, em que um fornecedor investe numa empresa que usa o dinheiro para comprar os produtos desse mesmo fornecedor. É a estrutura que já havia abalado os mercados quando se soube que a Nvidia negociava garantir até US$ 250 bilhões em dívida da OpenAI.
Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, tratou de negar o rótulo. "A OpenAI vai pagar o aluguel", escreveu, em publicação no blog da companhia. "Garantimos insumos críticos quando temos visibilidade sobre a demanda do cliente e quando isso viabiliza capacidade produtiva de longo prazo." A OpenAI, por sua vez, informou que só começará a pagar à medida que a capacidade ficar disponível para locação.
A Nvidia também fez questão de delimitar o compromisso: não está garantindo o financiamento do complexo inteiro nem a totalidade das obrigações de locação da OpenAI. O apoio começa em fases, entre 2028 e 2030, e se estende por 20 anos.
Investidores de renda fixa vêm acompanhando esse tipo de estrutura com atenção redobrada, preocupados com o volume de garantias implícitas que sustentam a expansão da IA sem aparecer com clareza nos balanços.
O complexo de Ohio, se sair como projetado, estará entre os maiores do planeta. É peça central da estratégia de Masayoshi Son, fundador do SoftBank, que já falou em um projeto de US$ 500 bilhões, e tem sido celebrado pelo governo Trump como uma vitória de política industrial.
Em movimento paralelo, a Nvidia acertou investir US$ 1,5 bilhão na SB Energy, empresa apoiada pelo SoftBank que vai construir, deter e operar a instalação. É mais um elo numa cadeia em que as gigantes de tecnologia aceleram investimentos bilionários em infraestrutura, num mercado que deve movimentar US$ 2,6 trilhões neste ano, segundo o Gartner.
O acordo se soma a uma rede de posições que a Nvidia vem montando ao longo da cadeia da inteligência artificial. A empresa já ofereceu garantias financeiras a companhias que constroem infraestrutura rapidamente, como a CoreWeave, e investiu diretamente na própria OpenAI e na Anthropic, rival da dona do ChatGPT.
A fabricante também está entre as maiores acionistas da SpaceX, de Elon Musk: divulgou na sexta-feira uma participação avaliada em US$ 21 bilhões, além de US$ 30 bilhões em ações da Intel. A empresa de Musk abriu capital recentemente na maior oferta da história. No começo deste mês, Musk afirmou ter decidido usar exclusivamente produtos da Nvidia numa expansão massiva de data centers.
O desenho é sempre o mesmo, e é a fonte tanto da força quanto da desconfiança: qualquer que seja o vencedor da corrida por modelos de IA, os chips passam pelo mesmo caixa. A empresa rejeita a tese de bolha e sustenta que apenas antecipa capacidade diante de demanda visível. Os próximos trimestres dirão se a demanda existia mesmo, ou se foi em parte financiada por quem tinha interesse em vendê-la.