Jonathan Ross: CEO da Groq, de chips para IA
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 14h34.
A Groq levantou US$ 350 milhões numa rodada que avalia a companhia em US$ 3,5 bilhões, cerca de metade do que ela valia há menos de um ano. A captação, anunciada nesta segunda-feira, 17, foi liderada pela gestora Disruptive, de Dallas, e tem entre os investidores a própria Nvidia, segundo representante da startup.
A queda de valuation tem endereço. Em setembro de 2025, a Groq captou US$ 750 milhões com avaliação de US$ 6,9 bilhões, no auge da tese de que empresas menores poderiam desafiar a Nvidia com chips especializados. Três meses depois veio o movimento que mudou tudo.
Em dezembro, a Nvidia firmou com a Groq um acordo de licenciamento não exclusivo de sua tecnologia de inferência e, no mesmo pacote, contratou o fundador e presidente-executivo Jonathan Ross, o presidente Sunny Madra e outros executivos-chave. A CNBC informou que a transação envolveu cerca de US$ 20 bilhões pelos ativos, o que a tornaria a maior operação da história da fabricante de chips, embora a Nvidia negue tratar-se de uma aquisição.
Ross não é um nome qualquer: liderou o desenvolvimento da TPU, o chip de IA que o Google criou para uso próprio, antes de fundar a Groq em 2016. A empresa apostava nos LPUs, processadores desenhados exclusivamente para inferência, a etapa em que um modelo já treinado responde às perguntas do usuário, em oposição ao treinamento, que é a fase de aprendizado.
O formato do acordo virou padrão no setor. Meta e Google também recorreram recentemente a arranjos de licenciamento com contratação de equipes, em vez de comprar as startups diretamente, estrutura que evita o escrutínio antitruste que uma aquisição atrairia.
Restou à Groq recomeçar. Sob o comando de Simon Edwards, que era diretor financeiro e assumiu como CEO, a empresa se reposicionou como operadora de data centers voltada à inferência, apostando na demanda por capacidade computacional para rodar software de IA em vez de disputar o mercado de chips com a antiga rival.
A virada já havia sido bancada em junho, com uma captação de US$ 650 milhões em que a companhia redefiniu seu valuation sem divulgar o número. Agora o valor apareceu, e é a metade do anterior.
Parte do dinheiro será usada para ampliar a capacidade total de data centers para mais de 200 megawatts no ano que vem. "A inferência vai se tornar, sem dúvida, a camada maior e mais crítica da infraestrutura de IA", afirmou Alex Davis, presidente do conselho da Groq e fundador da Disruptive, em nota. "Vamos nos concentrar em apoiar os criadores de modelos mais importantes."
Vale registrar que Davis ocupa os dois lados da mesa: preside o conselho da empresa e comanda a gestora que liderou a rodada. A Disruptive já investiu mais de meio bilhão de dólares na Groq desde a fundação.
A operação é um retrato da concentração no setor. A Nvidia licenciou a tecnologia da concorrente, absorveu seus fundadores, lançou um produto derivado, o Nvidia Groq 3 LPX, e agora investe no que sobrou da empresa, que passa a operar num segmento adjacente sem ameaçá-la diretamente.
É o mesmo desenho que se repete em outras pontas da cadeia: a fabricante banca infraestrutura de clientes, investe em laboratórios rivais entre si e mantém participações relevantes em quem compra seus chips. Qualquer que seja o vencedor da corrida, o dinheiro passa pelo mesmo caixa. No caso da Groq, passa duas vezes.