Arvind Krishna: CEO da IBM mandou recado para os investidores (Getty Images/Fundo gerado por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 17 de julho de 2026 às 12h59.
A IBM decepcionou o mercado no segundo trimestre deste ano, e seu CEO fez questão de assumir a responsabilidade.
Em carta divulgada aos investidores na terça-feira, 14, Arvind Krishna reconheceu que a empresa ficou abaixo das próprias expectativas nas divisões de software e infraestrutura, em um resultado que ele classificou como "decepcionante".
A companhia divulgou uma prévia dos resultados com receita de US$ 17,2 bilhões, alta de apenas 1% em relação ao ano anterior.
O lucro por ação, segundo o critério contábil GAAP, foi de US$ 2,27, uma queda de 2%. A receita de infraestrutura recuou 7%, enquanto a de software cresceu 5% — abaixo do que a empresa projetava.
O ponto mais incomum da carta foi a admissão direta de falha.
"Estas condições exigem que nossos times executem com perfeição e, neste trimestre, nós vacilamos", escreveu Krishna, ao explicar por que vários grandes contratos não foram fechados no prazo previsto.
Segundo ele, a empresa não se adaptou nem se moveu rápido o suficiente, e isso respondeu pela maior parte do resultado aquém do esperado.
O executivo fez questão de enquadrar os fatores externos não como desculpa, mas como realidade. "Não são desculpas, mas são realidades", afirmou, acrescentando que o papel da IBM é ajudar os clientes a encontrar caminhos de crescimento independentemente do ambiente externo.
O principal motivo do tropeço, segundo Krishna, foi uma mudança repentina no comportamento dos clientes.
Nas últimas semanas de junho, as empresas redirecionaram seus orçamentos de investimento para a compra de servidores, armazenamento e memória, tentando garantir estoques de infraestrutura em falta no mercado antes de aumentos de preço esperados.
Esse remanejamento pegou a IBM de surpresa. A empresa afirma que previa algum impacto da cadeia de suprimentos, mas não a magnitude com que os clientes repriorizaram os gastos.
Ainda segundo a carta, os clientes estavam distraídos com preocupações de segurança cibernética que se espalharam pelo setor no período.
Krishna também usou o espaço para apresentar apostas de longo prazo. Ele citou o Lightwell, um compromisso de US$ 5 bilhões, apoiado por recursos de IA e mais de 20 mil engenheiros, para criar uma central de correção de vulnerabilidades em software livre — com adesão inicial de bancos como Goldman Sachs, JPMorgan e Citi.
E reforçou o investimento em computação quântica, com um plano de mais de US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos.
A carta funcionou como uma prévia. A IBM afirmou que os números ainda não estão fechados e que os resultados finais podem sofrer pequenas alterações.
A empresa detalhará o desempenho e apresentará as expectativas para o ano completo em teleconferência marcada para 22 de julho.
Para conter o estrago, Krishna afirmou que a companhia está adotando novas iniciativas e acelerando outras, com o objetivo de melhorar os resultados à frente.
Resta ao mercado avaliar, na teleconferência, se o tropeço do trimestre foi um ponto fora da curva ou um sinal de desafios mais duradouros.