Novelas verticais: original 'Tudo Por Uma Segunda Chance' foi um ensaio para a nova aposta da Globo (Globo/Fábio Rocha/Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 12h00.
Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 13h12.
A Globo está desenvolvendo um aplicativo próprio de vídeos curtos, chamado internamente de Globopop, como parte de uma estratégia de reposicionamento digital voltada para o consumo vertical, móvel e algorítmico. O movimento não se resume a competir com plataformas como o TikTok, mas representa uma tentativa da emissora de controlar novas camadas da cadeia de valor da mídia digital, principalmente dados e monetização.
A aposta em conteúdos originais produzidos desde o início em formato vertical, como novelas pensadas para o celular, indica que a empresa busca gerar propriedade intelectual adaptada ao novo comportamento cultural, em vez de apenas redistribuir conteúdos tradicionais. A Globo reconhece que os vídeos curtos não são uma tendência de formato, mas um novo padrão de linguagem, narrativa e consumo.
O lançamento planejado para antes da Copa do Mundo de 2026 também não é aleatório: a empresa quer aproveitar o ciclo de atenção provocado por grandes eventos esportivos para acelerar a adoção do novo produto digital. A Copa tem histórico de gerar tráfego massivo e comportamento coletivo, fatores que podem ajudar na consolidação inicial da plataforma.
Ao operar sua própria plataforma, a Globo passa a ter acesso direto a dados de comportamento, consumo e preferências — ativos hoje majoritariamente nas mãos de plataformas estrangeiras. Isso abre caminho para formatos publicitários mais segmentados, integração entre conteúdo e comércio, e patrocínios nativos mais precisos.
A estratégia também reduz a dependência de intermediários como Google e Meta, empresas que concentram boa parte da atenção digital no Brasil. A lógica por trás do movimento é clara: quem não disputa atenção perde relevância, e sem relevância não há espaço sustentável para monetização.