Facebook, Instagram e Snapchat bloqueiam postagens de Donald Trump

Redes sociais se unem ao Twitter para barrar discurso do presidente americano; especialistas acreditam que bani-lo de vez pode ser a melhor solução
Donald Trump: presidente americano foi bloqueado por diversas redes sociais (BRENDAN SMIALOWSKI/AFP/Getty Images)
Donald Trump: presidente americano foi bloqueado por diversas redes sociais (BRENDAN SMIALOWSKI/AFP/Getty Images)
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Tamires Vitorio

Publicado em 07/01/2021 às 10:12.

Última atualização em 07/01/2021 às 10:13.

Na tarde desta quarta-feira, 6, manifestantes a favor do americano Donald Trump invadiram o Capitólio durante a ratificação da vitória do democrata Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos. Toda a confusão (como muitas outras) teve origem em um ambiente que há muito tem sido palco de discussões políticas acaloradas, bem como o principal veículo para a propagação de desinformação: as redes sociais.

Durante os últimos meses, Trump incitou seus apoiadores diversas vezes a tomar uma atitude em relação a vitória de Biden, que, para o republicano, não foi legítima. Na quarta, duas publicações feitas no Twitter foram removidas por terem violado as regras da rede social e o presidente americano foi proibido de realizar publicações por 12 horas, correndo o risco de ser banido de vez. Não demorou para que o Facebook e o Instagram também anunciassem medidas para travar o discurso de Trump.

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Na noite de ontem, o Facebook anunciou que Trump estava proibido de realizar publicações em seu perfil, bem como interagir com outras postagens. "Enxergamos duas violações das regras do Facebook contra a página do presidente Trump, o que resultou em um bloqueio de 24 horas, nas quais ele perderá a habilidade de postar na plataforma", disse a rede social em comunicado.

A conta do americano no Instagram também foi bloqueada pelo mesmo período, segundo o gerente da rede social de fotos, Adam Mosseri.

Antes dos bloqueios, o Facebook havia removido um vídeo postado por Trump durante os ataques ao Capitólio no qual Trump dizia para os manifestantes "irem para a casa" e repetia, falsamente, que a "eleição havia sido roubada". Outra postagem do presidente, na qual ele pedia para os apoiadores se lembrarem do dia para sempre, também foi deletada. Horas depois, o republicano também foi impedido de realizar publicações no Snapchat.

Os bloqueios acontecem na esteira de medidas tomadas pelas redes sociais durante as eleições americanas para evitar situações como as de 2016, mas que pareciam não ser necessárias após a decisão do eleitorado.

Em 2020, o Twitter anunciou diversas regras no mês que antecedeu a ida às urnas e, durante a madrugada do dia da eleição, tomou medidas para conter as publicações com informações não verificadas – algumas, inclusive, publicadas por Trump.

O Facebook não restringiu as publicações de Trump durante o período, mas inseriu em todas as postagens uma marcação sobre a contagem de votos. A rede social afirmou em uma publicação que, a partir do momento que Trump começou a fazer afirmações de vitória prematuras, eles começaram a enviar notificações de que um vencedor ainda não poderia ser definido.

Para o especialista em redes sociais e democracia Casey Newton, do site americano The Verge, é a hora de o Twitter, Facebook e Instagram tirarem a plataforma de vez das mãos de Trump. "O uso e abuso do Twitter por parte do presidente para ameaçar uma guerra nuclear, atacar cidadãos e minar as eleições têm sido um fator definitivo no ambiente das redes sociais desde a campanha de 2016", disse ele em um artigo.

Resta saber se isso funcionará. Em entrevista à EXAME em 2019, Jaron Lanier, cientista de computação e autor do livro "Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais", afirmou que, mesmo se Trump deixasse seu Twitter de lado um dia (por vontade própria ou não), outros políticos iriam se beneficiar dos algoritmos – e da visibilidade oferecida por eles.