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CEO da Ford, Jim Farley prevê 'invasão' de montadoras chinesas nos EUA

Executivo afirmou que a montadora trabalha com a possibilidade de fabricantes chinesas entrarem no mercado americano entre cinco e dez anos, apesar das barreiras comerciais impostas pelos EUA

Jim Farley: CEO da Ford cobra mais apoio a treinamento e inovação nos EUA (Bill Pugliano/Getty Images)
Jim Farley: CEO da Ford cobra mais apoio a treinamento e inovação nos EUA (Bill Pugliano/Getty Images)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 1 de agosto de 2026 às 17:19.

Última atualização em 1 de agosto de 2026 às 17:57.

O CEO da Ford, Jim Farley, afirmou a funcionários que a montadora trabalha com a possibilidade de fabricantes chinesas de automóveis entrarem no mercado americano em até dez anos. A declaração foi feita durante uma reunião interna na quinta-feira, 30, segundo três pessoas que acompanharam o encontro e relataram o conteúdo à Reuters.

A avaliação contrasta com a política comercial dos Estados Unidos, que hoje impõe tarifas de cerca de 100% sobre veículos elétricos produzidos na China, além de restrições ao uso de softwares e componentes chineses em carros vendidos no país. Ainda assim, Farley indicou que a Ford considera inevitável uma maior presença das montadoras asiáticas no longo prazo.

Competição chinesa já molda estratégia da Ford

Farley é um dos principais executivos da indústria a alertar para o avanço das fabricantes chinesas. Nos últimos anos, o CEO tem citado repetidamente empresas como a BYD como referência em custos, velocidade de desenvolvimento e eficiência produtiva.

A resposta da Ford passa pelo desenvolvimento de uma nova plataforma de veículos elétricos de baixo custo, desenhada para competir diretamente com os modelos chineses em preço e rentabilidade.

As declarações também acontecem em meio ao debate no Congresso americano sobre a ampliação das restrições às montadoras chinesas, reforçando a preocupação de Washington com o avanço da indústria automotiva do país asiático.

Pressão que vem de fora

Embora as fabricantes chinesas ainda não tenham presença relevante no mercado americano, elas vêm ampliando participação em outros mercados importantes para a Ford.

No México, marcas chinesas ganharam espaço nos últimos anos. No Canadá, acordos comerciais permitem a venda de um volume limitado de veículos elétricos produzidos na China. Analistas do setor consideram o mercado canadense uma porta de entrada para avaliar a receptividade dos consumidores americanos.

Na Europa, a Ford anunciou recentemente uma joint venture com a Geely para fortalecer sua posição na região. A parceria foi alvo de críticas de parlamentares dos Estados Unidos, mas a montadora argumenta que o crescimento das fabricantes chinesas exige que as empresas tradicionais se tornem mais eficientes para manter a competitividade.

No início do mês, o presidente do conselho da Ford, Bill Ford, resumiu a estratégia da empresa ao afirmar que os Estados Unidos não conseguirão impedir indefinidamente o avanço das montadoras chinesas e que o desafio será competir em igualdade de condições.

E o Brasil?

No Brasil, a Ford já vive uma realidade diferente da dos Estados Unidos. Desde o fechamento de suas fábricas em 2021, a montadora deixou de produzir veículos no país e passou a operar com um portfólio baseado em modelos importados, como a Ranger, produzida na Argentina, além da Maverick, Bronco Sport, Mustang, F-150 e Transit. A empresa também manteve em funcionamento seu centro de desenvolvimento em Camaçari (BA), voltado à engenharia e ao desenvolvimento de tecnologias para projetos globais. 

O mercado brasileiro, por sua vez, tornou-se um dos principais destinos da expansão das montadoras chinesas na América Latina. Marcas como BYD, que assumiu a antiga fábrica da Ford na Bahia, e GWM ampliaram investimentos no país e vêm ganhando participação em segmentos como veículos elétricos e híbridos.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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