Direito ao reparo: leis obrigam fabricantes a oferecer peças e conserto a preços acessíveis para eletrônicos e eletrodomésticos (Flickr/Michael Kappel)
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Publicado em 31 de julho de 2026 às 10h03.
Última atualização em 31 de julho de 2026 às 11h33.
Consertar um celular com a tela trincada costumava gerar a ansiedade em relação às peças difíceis de encontrar e preços que rivalizavam com um aparelho novo. Isso pode mudar — o PL 805/2024, que altera o Código de Defesa do Consumidor para coibir a obsolescência programada e garantir o direito ao reparo, foi aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado em maio de 2026 e aguarda análise na Comissão de Defesa do Consumidor (CTFC).
O conceito exige que fabricantes forneçam peças, manuais e acesso a diagnóstico para que o próprio consumidor ou oficinas independentes consigam consertar produtos.
A ideia combate práticas como o parts pairing — bloqueio por software que impede o uso de peças não autorizadas — e a redução proposital da vida útil de componentes.
O Código de Defesa do Consumidor já obriga fabricantes a manter peças de reposição por prazo razoável após o produto sair de linha. O PL 805/2024 proíbe a obsolescência programada, veda a recusa de reparo em produtos consertados fora da rede autorizada e garante ao consumidor a liberdade de escolher onde consertar o aparelho sem perder a garantia de fábrica. A multa prevista para descumprimento começa em R$ 10 mil e pode atingir valores milionários.
O projeto, de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI), foi aprovado na CCT. Caso aprovado na CTFC — onde tem caráter terminativo —, segue para sanção sem passar pelo plenário. Se transformado em lei, entra em vigor 180 dias após a publicação.
O valor depende do tipo de defeito e da categoria do aparelho. Em celulares, a troca de tela é o reparo mais comum. Modelos de entrada custam entre R$ 150 e R$ 400; intermediários ficam na faixa de R$ 500 a R$ 1.200; e topos de linha podem chegar a R$ 2.500 ou mais em assistência autorizada. A troca de bateria, em geral, sai entre R$ 150 e R$ 500, dependendo do modelo.
Em notebooks, substituir bateria, conector ou SSD custa entre R$ 350 e R$ 800. Eletrodomésticos como lava e seca ou geladeira, quando o problema é placa eletrônica ou bomba, ficam na faixa de R$ 450 a R$ 1.200. Assistências independentes costumam cobrar menos que as autorizadas, mas o uso de peças paralelas pode afetar o valor de revenda do aparelho.
A referência mais usada por especialistas e órgãos de defesa do consumidor é a regra dos 50%: se o orçamento do reparo (peça mais mão de obra) ficar abaixo de metade do preço de um produto novo equivalente, o conserto tende a compensar. Acima desse valor, a compra de um aparelho com garantia nova e hardware atualizado costuma ser mais vantajosa.
Outros fatores que pesam a favor do reparo:
A substituição tende a compensar quando:
As regras europeias reconhecem essa lógica ao permitir que o fabricante recuse o conserto quando a inviabilidade técnica for comprovada. A substituição por um produto recondicionado também é admitida como alternativa.
Antes de autorizar o reparo, vale checar se: