Ciência

Estudo vincula genes com inclinação a cometer atos violentos

Estudo sueco identificou dois genes que podem ser vinculados ao aumento da inclinação a cometer atos violentos de maneira repetida


	Neurociência: resultados foram obtidos após análise de 895 pessoas condenadas por diferentes crimes
 (©AFP/Arquivo / Jean-Philippe Ksiazek)

Neurociência: resultados foram obtidos após análise de 895 pessoas condenadas por diferentes crimes (©AFP/Arquivo / Jean-Philippe Ksiazek)

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Da Redação

Publicado em 28 de outubro de 2014 às 11h55.

Copenhague - Um estudo divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Karolinska de Estocolmo identificou dois genes que podem ser vinculados ao "aumento da inclinação a cometer atos violentos de forma repetida".

Os resultados foram obtidos após a análise genética de 895 pessoas condenadas por diferentes crimes na Finlândia.

A pesquisa descobriu uma relação entre a violência e um variante do gene MAOA, assinalado já em estudos anteriores, mas também com a variante do gene CDH13, vinculado anteriormente com alterações do comportamento e doenças psíquicas com deficiente controle dos impulsos.

"Nas pessoas condenadas por delitos que não incluíam violência não se podia ver a mesma presença de MAOA ou de CDH13, o que indica que estas variantes genéticas estão relacionadas com o comportamento violento", assinalou em comunicado Jari Tiihonen, professor de neurociência no Karolinska e diretor do estudo.

O baixo metabolismo da dopamina, vinculado ao gene MAOA, também pode contribuir para uma maior agressividade combinado ao uso de drogas, constata a pesquisa dirigida pelo centro sueco. O estudo também teve a participação de instituições finlandesas, britânicas e americanas.

A pesquisa, publicada na revista especializada "Molecular Psychiatry", mostra que essas duas variantes de genes aparecem em entre 5% e 10% dos delitos violentos graves na Finlândia. A análise do instituto ressalta, no entanto, que mais genes devem estar envolvidos na explicação do comportamento violento e que os fatores ambientais desempenham também um papel grande para compreender esse fenômeno.

"É importante lembrar que nossos resultados não podem nem devem ser usados para avaliações individuais. Não se pode aplicar este tipo de análise genética com propósitos preventivos nem jurídicos", advertiu Tiihonen.

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