Tecnologia

China amplia produção de chips para IA e quer quintuplicar capacidade até 2030

Governo pretende elevar fabricação de menos de 20 mil para 100 mil wafers em dois anos para reduzir dependência dos EUA

Engenheiro segura wafers, discos de silício usados na fabricação de chips, base da indústria de semicondutores e peça-chave no avanço da inteligência artificial

Engenheiro segura wafers, discos de silício usados na fabricação de chips, base da indústria de semicondutores e peça-chave no avanço da inteligência artificial

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 07h46.

O governo da China irá apoiar que empresas locais acelerem a produção de chips para equipar a indústria nacional de inteligência artificial e evitar que as rixas comerciais com os Estados Unidos atrasem o desenvolvimento da tecnologia no país. As informações são de uma reportagem do Nikkei Asia. 

Na prática, Pequim quer aumentar rapidamente a fabricação de componentes essenciais para sistemas de IA, como os usados em aplicativos, data centers e carros autônomos. Entre as empresas apoiadas estão a SMIC, maior fabricante de chips da China, a Hua Hong Semiconductor e divisões da Huawei, que passou a investir mais em tecnologia própria após sofrer sanções americanas.

Hoje, a China produz menos de 20 mil placas de semicondutores, conhecidas como wafers, mas a meta é chegar a 100 mil unidades em até dois anos e alcançar 500 mil até 2030. Os wafers são as "bases" onde os chips são construídos, quanto mais modernos e menores, mais eficientes eles tendem a ser.

Especialistas afirmam que as restrições dos EUA forçaram empresas chinesas a buscar alternativas internas. "O futuro delas depende da capacidade dos fabricantes locais de atender à demanda", afirmou Donnie Teng, analista da Nomura Securities, ao Nikkei Asia.

Mesmo com o incentivo à produção nacional, analistas avaliam que as fabricantes chinesas ainda não conseguem suprir sozinhas toda a demanda interna por chips avançados. Por isso, parcerias com empresas globais como a Nvidia não estão descartadas, ainda que sob regras rígidas.

EUA e China disputam liderança em IA

Entre 2024 e 2025, empresas chinesas como Hygon Information Technology e Cambricon Technologies registraram forte crescimento ao se tornarem alternativas à Nvidia, impedida de vender seus chips mais avançados à China. A Hygon ampliou sua receita em 45% ao ano, enquanto a Cambricon triplicou seu faturamento anual no período.

No início deste ano, o governo chinês autorizou a empresa DeepSeek a comprar chips H200, modelo intermediário da Nvidia, como alternativa ao Blackwell, o mais avançado da companhia. A liberação ocorreu semanas após o governo americano permitir vendas limitadas a grupos como ByteDance, Alibaba e Tencent.

Em paralelo, gigantes locais como a Alibaba têm investido em soluções próprias, como a IA Qwen3.5, buscando maior autonomia tecnológica. O movimento mostra que, apesar das barreiras comerciais, a disputa entre China e EUA pelo domínio da inteligência artificial segue intensa.

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