Inteligência Artificial

DeepSeek usou chip Blackwell, banido da China pelos EUA, para treinar nova IA

Próximo modelo de inteligência artificial da DeepSeek pode estar sendo treinado a partir do chip Blackwell, proibido pelos EUA de ser comercializado no país asiático

DeepSeek: startup de IA da China estaria utilizando chip banido do país para treinar próxima ferramenta

DeepSeek: startup de IA da China estaria utilizando chip banido do país para treinar próxima ferramenta

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 09h30.

Última atualização em 24 de fevereiro de 2026 às 09h31.

O próximo modelo de inteligência artificial da DeepSeek pode estar sendo treinado a partir do chip Blackwell, da Nvidia, para ser lançado na próxima semana. As informações da Reuters apontam aparente quebra da limitação de venda dos semicondutores de ponta dos Estados Unidos à China, definida pelo governo de Donald Trump no ano passado.

Segundo fontes ouvidas pela agência, um funcionário do governo de Donald Trump afirmou que a empresa chinesa estaria utilizando a arquitetura mais recente da fabricante americana de chips. Ele também declarou acreditar que a DeepSeek pode omitir a referência ao Blackwell na ficha técnica do produto final. A fonte não detalhou como Washington teria identificado a suposta comercialização do componente apesar das restrições.

As limitações à exportação de semicondutores avançados foram reforçadas pelo governo Trump no ano passado, sob a justificativa de proteger a liderança tecnológica americana e a segurança nacional. A venda de chips de alto desempenho, essenciais para o treinamento de modelos de IA generativa, passou a exigir autorizações específicas.

Mao Ning, diretora de informação do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou não ter conhecimento do caso e reiterou que Pequim se opõe a restrições comerciais motivadas por disputas ideológicas entre os dois países.

O Blackwell é a geração mais recente de GPUs, sigla para unidades de processamento gráfico voltadas a cargas intensivas de IA. O componente sucede a linha Hopper e é considerado peça central na corrida global por modelos mais avançados.

Chips H200 como alternativa intermediária

No início deste ano, os ministérios da Indústria e Tecnologia da Informação e do Comércio da China aprovaram que a DeepSeek adquirisse chips H200, segunda linha mais potente da Nvidia. A liberação ocorreu semanas após o governo americano autorizar a venda do modelo a empresas chinesas específicas, como ByteDance, Alibaba e Tencent, sob condições restritas.

Salf Khan, ex-diretor de tecnologia e segurança nacional da Casa Branca, afirmou que a dependência de chips Blackwell obtidos de forma irregular evidenciaria a escassez de semicondutores avançados produzidos na China. Segundo ele, a aprovação do H200 funcionaria como uma alternativa emergencial para empresas locais. Empresas chinesas teriam encomendado mais de 2 milhões de unidades do H200, volume superior ao estoque disponível da Nvidia.

Trump chegou a mencionar a possibilidade de autorizar uma versão do Blackwell com desempenho reduzido entre 30% e 50%, como forma de limitar o avanço chinês no setor. Já Chris McGuire, que atuou no Conselho de Segurança Nacional durante o governo de Joe Biden, avaliou que a exportação irrestrita de processadores de ponta para a China representa risco estratégico.

Em paralelo às restrições, empresas chinesas intensificam o desenvolvimento de alternativas domésticas. A Alibaba, por exemplo, anunciou recentemente a IA Qwen3.5, com foco em multifuncionalidade e maior independência tecnológica. O movimento indica que, apesar das barreiras comerciais, a disputa por liderança em IA segue acelerada tanto no campo diplomático quanto no industrial.

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