Tecnologia

Apple leva produção do Mac Mini para Houston e amplia aposta industrial nos EUA

Com investimento de US$ 600 bilhões no país, empresa transfere parte da cadeia antes concentrada na Ásia e mira isenções tarifárias

Mac Mini: expansão da fabricação do computador faz parte de investimento de US$ 600 bilhões no território (Sawayasu Tsuji/Getty Images)

Mac Mini: expansão da fabricação do computador faz parte de investimento de US$ 600 bilhões no território (Sawayasu Tsuji/Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 09h25.

Última atualização em 24 de fevereiro de 2026 às 09h27.

Apple passará a fabricar o computador Mac Mini em Houston, nos Estados Unidos, tirando parte da cadeia produtiva de locais como China, Malásia Tailândia. As informações do The Wall Street Journal reafirmam a estratégia da empresa de estabelecer mais recursos de suprimento no país norte-americano a partir de um investimento de US$ 600 bilhões no território.

Segundo Sabih Khan, chefe de operações da Apple, a maior parte da nova fabricação será direcionada a uma instalação da Foxconn no norte de Houston. O armazém fica próximo de outra unidade da mesma fornecedora taiwanesa que já monta servidores de inteligência artificial da empresa. A aproximação física entre as operações sugere integração logística entre hardware e infraestrutura voltada a IA, sigla para inteligência artificial.

A expansão da produção nos EUA ocorre em meio à tentativa da Apple de obter isenções das tarifas prometidas pelo governo Donald Trump em agosto do ano passado. Ao nacionalizar parte da manufatura, a companhia busca reduzir exposição a riscos geopolíticos e custos adicionais de importação, movimento semelhante ao adotado por outras gigantes de tecnologia desde a pandemia.

Lançado em 2005, o Mac Mini — computador de mesa compacto da empresa — foi redesenhado em 2024, quando ficou ainda menor e passou a incorporar os chips M4 e M4 Pro, processadores próprios baseados em arquitetura ARM. Ao longo de 16 versões, o produto variou em design e capacidade de processamento, mas nunca ocupou posição central no portfólio da companhia.

Dados da Consumer Intelligence Research indicam que o Mac Mini representa menos de 5% da receita anual de computadores Mac e menos de 1% das vendas totais da Apple. Embora discreto em participação, o modelo supera o Mac Pro em procura, segundo relato de Khan ao jornal americano. Nos últimos anos, o equipamento ganhou espaço entre desenvolvedores e entusiastas que utilizam o aparelho como base para projetos de agentes de IA em ambiente doméstico.

A nova fábrica também funcionará como centro de treinamento para estudantes e funcionários ligados à produção física dos dispositivos. A iniciativa dialoga com a narrativa da Apple de fortalecimento da indústria local e formação de mão de obra especializada em território americano.

Ao ser questionado sobre a escolha de ampliar a presença industrial com um produto de nicho, e não com o iPhone — principal gerador de receita da empresa —, Khan afirmou que a decisão está ligada a áreas “fundamentais para a inovação futura”. A fala indica que, mais do que volume, o foco estaria em segmentos estratégicos capazes de diferenciar os produtos ao longo do tempo.

Estratégia industrial e pressão geopolítica

A movimentação ocorre em um contexto de reconfiguração das cadeias globais de suprimentos. Desde 2020, empresas de tecnologia vêm diversificando fornecedores e reduzindo dependência da China, em resposta a tensões comerciais entre Washington e Pequim. No caso da Apple, a ampliação da produção nos EUA convive com a expansão paralela na Índia e no Sudeste Asiático.

Ao optar pelo Mac Mini como ponto de partida, a Apple testa a viabilidade de manufatura doméstica em um produto de menor escala antes de avançar para linhas mais complexas, como o iPhone. A decisão equilibra discurso político, gestão de risco e planejamento de longo prazo, ainda que o impacto financeiro direto do modelo seja limitado no conjunto do negócio.

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