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Ozzy Osbourne: vocalista do Black Sabbath morreu no ano passado (Mick Hutson / Colaborador/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 09h14.
Última atualização em 22 de setembro de 2026 às 09h24.
A startup britânica Unit1 captou US$ 20 milhões para criar shows com avatares digitais hiper-realistas de artistas vivos e mortos. Inspirada no sucesso do ABBA Voyage, a empresa quer levar apresentações virtuais para arenas tradicionais, mas enfrenta debates sobre direitos de imagem, autorização de herdeiros e a reação do público a “ressurreições” digitais.
Uma startup britânica quer criar uma nova categoria de shows: apresentações ao vivo com avatares digitais de artistas mortos. A proposta parte do modelo do ABBA Voyage, espetáculo lançado em maio de 2022 no leste de Londres que coloca versões digitais dos integrantes do ABBA como eram em 1979 no palco, acompanhadas por músicos reais.
A Unit1 captou cerca de US$ 20 milhões para recriar shows com avatares digitais "hiper-realistas" de músicos. A empresa foi fundada no ano passado por Barney Wragg, executivo que comandou por cinco anos o grupo de entretenimento de Andrew Lloyd Webber, compositor de musicais como Cats e Evita. Entre os investidores está a gestora Balderton Capital, por meio do sócio Daniel Waterhouse, um dos primeiros investidores do Spotify.
A proposta da empresa tem duas frentes. A primeira é colocar no palco avatares de artistas vivos que deixaram de fazer turnês. A segunda, mais delicada, é recriar apresentações de músicos mortos.
Nesse caso, a empresa pretende combinar imagens de arquivo com atores e músicos contratados por se parecerem ou tocarem como o artista original, fundindo as gravações para formar a performance digital.
A cantora escocesa KT Tunstall já gravou um projeto piloto com a empresa num estúdio em Londres.
A diferença em relação ao ABBA Voyage está no custo e na mobilidade. O show do ABBA depende de uma arena construída especialmente para ele, com capacidade para 3.000 pessoas e quase 300 caixas de som.
A Unit1 quer dispensar essa estrutura, com espetáculos que combinam telões de LED de alta definição, iluminação, cenário e músicos tocando ao vivo, em um formato que pode ser montado em casas de show comuns. Em tese, isso permitiria que a mesma apresentação circulasse por vários países ao mesmo tempo. O dinheiro captado vai para pesquisa e desenvolvimento e para a negociação de direitos com artistas e seus herdeiros.
Só em 2024, o ABBA Voyage vendeu 1,06 milhão de ingressos em 374 apresentações, com ocupação média acima de 90%, e a empresa responsável pelo show, a Aniara, faturou 104,3 milhões de libras esterlinas, segundo documentos entregues ao registro de empresas do Reino Unido. O lucro antes de impostos foi de 4,2 milhões de libras esterlinas, abaixo dos 6,1 milhões de libras esterlinas do ano anterior. A temporada, que inicialmente iria até 2026, foi estendida até fevereiro de 2027.
O modelo, porém, esbarra numa questão que vai além do negócio. Recriar artistas mortos com tecnologia divide fãs, herdeiros e a própria indústria, e parte do público já manifestou desconforto com a ideia de ver músicos "ressuscitados" no palco. O tema ganhou força com a popularização da inteligência artificial (IA), que torna cada vez mais fácil reproduzir rostos e vozes a partir de gravações antigas, e levanta perguntas sobre quem autoriza esse uso e quem fica com a receita.
No Brasil, o debate já teve um caso emblemático. Em 2023, um comercial da Volkswagen usou IA para recriar a cantora Elis Regina, morta em 1982, cantando ao lado da filha, Maria Rita. A campanha emocionou parte do público e provocou críticas de quem questionou se a artista teria concordado em aparecer numa propaganda, e chegou a ser analisada pelo Conar, o órgão de autorregulamentação publicitária.
A Unit1 aposta que contratos com os herdeiros e a presença de músicos reais no palco bastam para contornar essas objeções. A primeira prova será convencer o público a pagar ingresso para ver, ao vivo, alguém que não está lá.
A Unit1 é uma startup britânica que desenvolve shows com avatares digitais hiper-realistas de artistas. A empresa quer criar apresentações ao vivo com versões digitais de músicos vivos que deixaram de fazer turnês e de artistas mortos, usando inteligência artificial, imagens de arquivo e músicos reais.
O ABBA Voyage é um espetáculo lançado em Londres em 2022 que apresenta versões digitais dos integrantes do ABBA como eram em 1979. Os avatares se apresentam em um palco com músicos reais e uma estrutura construída especificamente para o show.
A Unit1 pretende combinar imagens de arquivo, tecnologia digital e artistas contratados para reproduzir características visuais e musicais do artista original. A empresa afirma que pretende negociar direitos com artistas e seus herdeiros.
O ABBA Voyage depende de uma arena construída especialmente para o espetáculo, enquanto a Unit1 quer criar um formato mais móvel, usando telas de LED, iluminação, cenários e músicos ao vivo em casas de show convencionais.
A Unit1 captou cerca de US$ 20 milhões em investimentos. Entre os investidores está a gestora Balderton Capital, por meio do sócio Daniel Waterhouse, um dos primeiros investidores do Spotify.
Em 2024, o ABBA Voyage vendeu 1,06 milhão de ingressos em 374 apresentações, com ocupação média acima de 90%. A empresa responsável pelo show faturou 104,3 milhões de libras esterlinas no período.
A recriação digital de artistas mortos divide opiniões porque envolve questões sobre autorização, direitos de imagem, uso de voz e aparência e participação dos herdeiros. Parte do público questiona se artistas falecidos aceitariam ser representados dessa forma.
Em 2023, um comercial da Volkswagen recriou digitalmente Elis Regina, morta em 1982, cantando ao lado da filha Maria Rita. A campanha recebeu elogios e críticas, e foi analisada pelo Conar, órgão de autorregulamentação publicitária.