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A Apple finalmente mudou a Siri. Para o mercado, não é o suficiente

Nova Siri será baseada no Gemini e chega apenas em versão beta em 2026, frustrando parte das expectativas do mercado — que já existiam desde 2024

Siri: atualização não empolgou investidores (Fundo gerado por IA/Apple/Reprodução)

Siri: atualização não empolgou investidores (Fundo gerado por IA/Apple/Reprodução)

Publicado em 9 de junho de 2026 às 07h18.

A Apple abriu a WWDC 2026 nesta segunda-feira, 8, com a maior reformulação da Siri em 15 anos, integração com o Gemini do Google e uma nova plataforma chamada Apple Intelligence. O mercado reagiu com entusiasmo no início — e ceticismo no fechamento.

As ações subiram 2,5% nas primeiras horas de negociação, enquanto investidores processavam os anúncios.

Depois do anúncio da Siri, caíram 4,8%, fechando o pregão a US$ 301,54, queda de 1,89% no dia.

O volume de negociação atingiu 76,6 milhões de ações, cerca de 68% acima da média dos últimos três meses, sinal de que o mercado estava atento, mesmo que a conclusão tenha sido de cautela.

A Bloomberg descreveu a reação dos investidores como morna. Para o Stock Analysis, o tom da WWDC lembrou o de um cônjuge que orgulhosamente lista todas as tarefas que finalmente concluiu, em vez de apresentar algo novo e empolgante.

Por que o mercado decepcionou

A Apple não se comprometeu com uma data de lançamento definitiva para a nova Siri.

O lançamento exclui a China, aguardando aprovação regulatória, e o assistente não chegará a iPhones e iPads na União Europeia. Mais importante: a Apple se comprometeu apenas com um lançamento em versão beta em 2026.

Esses detalhes transformaram o que poderia ser um catalisador claro em um evento de "esperar para ver", o pior resultado possível para uma ação que chegou à WWDC próxima de sua máxima histórica e com expectativas elevadas.

O que dividiu os analistas

A decisão mais comentada do dia não foi técnica, mas estratégica.

A Apple confirmou que a nova Siri será alimentada por um modelo Gemini customizado da Google, num acordo avaliado em cerca de US$ 1 bilhão por ano. É a primeira vez na história que a Apple recorre abertamente a tecnologia de terceiros para alimentar seu assistente.

Dan Ives, analista da Wedbush Securities, chamou o acordo de transformador. "Transforma uma fraqueza em força", disse Ives.

O Morgan Stanley, com classificação Overweight e preço-alvo de US$ 330, havia dito antes do evento que a WWDC poderia ser um "catalisador pivô" para reposicionar a Apple como vencedora da IA.

O Bank of America projetou que a Apple pode gerar entre US$ 15 bilhões e US$ 30 bilhões em receita relacionada a IA até o ano fiscal de 2030.

O argumento oposto também existe. O caso pessimista aponta dependência de um modelo Google em 2 bilhões de dispositivos, risco antitruste e a possibilidade de a Siri decepcionar na prática.

Se o prêmio de IA embutido nas ações se desfizer, o preço-alvo mais baixo do mercado — US$ 215 — implica queda de cerca de 29% a partir do nível atual.

O resto do mercado

Enquanto a Apple fechou no vermelho, o restante do mercado foi na direção oposta.

O S&P 500 subiu 0,30%, fechando a 7.406 pontos. O Nasdaq avançou 0,86%, a 25.930 pontos. A Microsoft recuou 1,18%, a US$ 411,74, enquanto investidores avaliavam seu próprio posicionamento em IA. A HP caiu 0,78%, a US$ 25,3.

A pergunta que o mercado deixou aberta nesta segunda-feira é a mesma que a Apple ainda não respondeu: a nova Siri vai convencer os donos de iPhones que ainda não atualizaram — cerca de 80% a 85% dos aparelhos ativos não rodam Apple Intelligence nativamente, segundo a TheStreet — a trocarem de celular?

Se sim, o ciclo de atualização que analistas esperam desde 2024 finalmente começa. Se não, o fechamento desta segunda foi um aviso.

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