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Menos hype: o que esperar do mercado de relógios em 2026

As marcas correram menos riscos neste ano. Mas a indústria entende que, em momentos desafiadores, qualidade faz diferença

Salão Watches & Wonders, em Genebra: muitas das novidades foram evoluções de modelos que já estavam no mercado

Salão Watches & Wonders, em Genebra: muitas das novidades foram evoluções de modelos que já estavam no mercado

Pedro Valente
Pedro Valente

Co-CEO e Colunista

Publicado em 25 de junho de 2026 às 06h00.

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Este foi um ano mais comedido para várias marcas da alta relojoaria. A sensação que tive ao acompanhar o salão Watches & Wonders e os respectivos lançamentos foi a de que a indústria está, aos poucos, se adaptando a uma nova realidade. Uma realidade de menos hype, orçamentos de marketing mais restritos e, consequentemente, menor disposição para correr riscos.

Muitos dos lançamentos foram evoluções de modelos já existentes. Ainda assim, algumas marcas conseguiram se destacar com peças inovadoras e belas. Algumas tendências ficaram bastante claras e mostram que, independentemente das oscilações de curto prazo, a indústria entende que a melhor resposta para um mercado mais fraco continua sendo lançar os melhores produtos possíveis.

A ascensão das colaborações entre manufaturas

Uma tendência que começou de forma relativamente tímida, mas vem ganhando popularidade e volume, são as colaborações entre manufaturas. A indústria já utilizou amplamente o playbook das parcerias entre marcas — Hublot e Ferrari talvez formem um dos exemplos mais conhecidos —, mas as colaborações entre relojoeiros vêm ganhando notoriedade.

Neste ano, consigo destacar três lançamentos que tiveram grande repercussão. O primeiro, e o que mais gerou barulho, foi o Royal Pop, fruto da colaboração entre Swatch e Audemars Piguet. A estratégia de lançamento parecia infalível. As especulações dominaram a internet até que se descobriu que o produto era um relógio de bolso, e não de pulso. Isso não impediu filas, discussões e até brigas em lojas ao redor do mundo. Independentemente dos ruídos, o lançamento esgotou rapidamente. O relógio, vendido originalmente por cerca de 400 dólares, já alcança aproximadamente 2.000 dólares no mercado secundário.

Além do Royal Pop, a Zenith lançou uma colaboração com a relojoaria japonesa Naoya Hida & Co. O resultado foi um dress watch elegante, equipado com um dos movimentos mais bonitos que vi nos últimos anos. O preço acompanha a exclusividade: cerca de 75.000 dólares.

Por último — e devo confessar que foi meu lançamento favorito da categoria —, destaco a colaboração entre Ulysse Nardin e Urwerk. O UR-Freak parece saído de um filme de ficção científica.

A consolidação dos braceletes integrados

A tendência iniciada pelo Royal Oak continua. Praticamente todas as grandes marcas já possuem ou estão desenvolvendo relógios com bracelete integrado.

Além da Audemars Piguet, Patek Philippe e Vacheron Constantin possuem modelos consagrados, como Nautilus e 222. Em 2019, vimos a A. Lange & Söhne lançar o Odysseus. Em 2021, foi a vez da Tissot com o PRX. Em 2025, a Rolex apresentou o Land-Dweller. Em 2026, a Jaeger-LeCoultre entrou definitivamente na categoria com sua nova coleção Master Control de bracelete integrado, com preços variando entre 12.000 e 75.000 euros.

A valorização da mecânica aparente

Outra tendência que acompanho e apoio é a dos relógios esqueletizados ou com mecânica aparente. Neles, o mostrador se torna secundário diante da exposição do movimento.

É verdade que muitos desses relógios dificultam a leitura das horas. Mas esse nunca foi o objetivo principal. Eles funcionam como uma celebração da engenharia mecânica.

Os destaques do ano, na minha opinião, foram o Patek Philippe Cubitus Calendário Perpétuo, o Hermès H08 Squelette e, novamente, meu favorito da temporada: o -Ulysse Nardin Super Freak. Trata-se do relógio “time only” mais complexo já produzido, com mais de 500 componentes. Infelizmente, seus cerca de 393.000 dólares ultrapassam com folga o meu orçamento.

O retorno das marcas históricas

Uma tendência interessante — e que demonstra como a relojoaria continua profundamente conectada à sua própria história — é o retorno de marcas extintas.

Vimos a Breitling adquirir a Universal Genève, que havia desaparecido do mercado. Em 2026, a Universal Genève apresentou diversos modelos inspirados em seu catálogo histórico. Posso afirmar que, apesar dos preços elevados, o relançamento respeita aquilo que a marca representou durante décadas.

Além da Universal Genève, a Breitling adquiriu a Gallet, passando oficialmente a operar como uma house of brands.

Por fim, vimos a Montblanc ressuscitar a Minerva de forma mais explícita. Apesar da aquisição ter ocorrido em 2006, a marca nunca havia explorado de maneira tão direta o nome Minerva no mostrador.

O retorno do “jump hour”

Outra tendência que já vinha aparecendo desde 2025 é o uso da complicação “jump hour”.

Meu modelo favorito continua sendo o Cartier Tank à Guichets, relançado no ano passado. Mas em 2026 vimos diversos exemplos seguindo a mesma direção. A Audemars Piguet apresentou o Neo Frame Jumping Hour. A TAG Heuer lançou o Monaco Speed 12. Já a -Louis Vuitton apresentou o Tambour Convergence Guilloché.

Por fim, gostaria de destacar meus lançamentos favoritos de 2026.

Como mencionei antes, o Ulysse Nardin Super Freak foi, para mim, o grande destaque do ano. É um relógio inovador, que desafia praticamente todos os paradigmas que esperamos encontrar em um relógio mecânico.

A Vacheron Constantin lançou o Overseas Dual Time Cardinal Points. O destaque, na minha opinião, está no uso do titânio.

Como fã da Universal Genève, também preciso mencionar o retorno do Compax. Um relógio icônico que agora volta equipado com toda a tecnologia da manufatura moderna, com potencial para competir com o Daytona.

E, por último, não poderia faltar um dress watch, o Piaget Polo 79 com mostrador de sodalita azul. Inspirado nos modelos dos anos 1970, ele combina elegância, personalidade e um dos mostradores mais bonitos deste ano. Para mim, é um dos melhores relógios de 2026.

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