Colin Farrell: um clássico noir na cidade dos sonhos de 2026 (Apple TV/Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 25 de junho de 2026 às 06h00.
Um homem sozinho, um carro cruzando a noite e uma mente inundada por monólogos internos que tentam decifrar o submundo de uma cidade gigante. Poderia ser a descrição de Taxi Driver, de Scorsese, mas serve perfeitamente para ditar o tom de Sugar, série da Apple TV que chega à segunda temporada em junho deste ano.
O título estreou em 2024 e apresentou Colin Farrell como John Sugar, um investigador imerso na clássica estética noir da antiga Hollywood. Apaixonado pelos filmes dos anos 1950, ele se viu imerso em um caso e o viveu como se estivesse em uma cena de Os Corruptos. Só havia um pequeno (e revelador) detalhe: nos últimos episódios da primeira temporada, descobrimos que Sugar é, na verdade, um alienígena.
Em 2026, o personagem está de volta à ensolarada Los Angeles — tão protagonista da história quanto ele próprio —, agora sozinho. Mais complexa que no primeiro ano, mas ainda embebida de investigação e ficção científica, a narrativa da segunda temporada desenha a jornada de Sugar como uma metáfora sensível sobre a imigração nos Estados Unidos. Após a partida da Terra de seus semelhantes, o detetive escolhe ficar no planeta para procurar pela irmã e se vê isolado e estrangeiro na cidade dos sonhos. É um sentimento que o ator irlandês compartilha com o personagem.
“Los Angeles é multifacetada, multicultural. Há tantas pessoas que vêm de fora para, de certa forma, reivindicar um futuro nela. Mas, mesmo após 25 anos morando aqui, ela ainda é exótica para mim”, disse Farrell, também produtor-executivo da série, em entrevista à Casual EXAME. “Tê-la como personagem fundamental mostra um isolamento parecido ao que John sente, como alguém que busca um espaço para si.”
A temática da imigração ganha força com a chegada dos personagens de Jin Ha e Raymond Lee, dois irmãos coreanos cujas trajetórias se cruzam com a do detetive. O arco do trio faz um aceno à vivência dos mais de 1,3 milhão de estrangeiros que escolheram a cidade como lar.
“Considero a série neutra, embora os temas sejam influenciados pela política atual — a imigração entre eles”, acrescentou o ator. “Queríamos explorar o que significa pertencer a algum lugar e ansiar por um lar que você teve que deixar para sobreviver. São perguntas feitas de maneira sutil, um bom termômetro moral para o que acontece no mundo.”
Mais ousada do que no primeiro ano, a série amplia a estética multigênero. Vai do noir à comédia, pincelada pela ficção científica, e se aprofunda em sentimentos indiscutivelmente humanos. O otimismo do protagonista (e do público, com ele) é frequentemente posto à prova, mas, ao contrário do niilismo do gênero, busca encontrar empatia no caos.
“Usamos o conceito metafórico de um alienígena para explorar o que é estar à margem”, definiu Farrell. É justamente nesse deslocamento que a produção encontra força: no mosaico multicultural de Sugar, o maior mistério a ser desvendado é a fascinante e dolorosa complexidade da alma humana. E ele precisa tentar resistir a ela.
MÚSICA
Djavan: 50 anos de carreira (Sergione Infuso/Corbis/Getty Images)
Em 2026, um dos maiores nomes da música popular brasileira completa meio século de carreira. Djavan começou em 1976 com A Voz, o Violão, a Música de Djavan. Anos mais tarde, suas músicas se tornaram marcos brasileiros, e ele foi alçado ao cargo de um dos maiores letristas do país. Até dezembro, o cantor alagoano leva a turnê “Djavanear 50 Anos. Só Sucessos” a 11 capitais, a começar por São Paulo. O espetáculo é formado exclusivamente por seus maiores hits, como Sina, Oceano, Samurai, Eu te Devoro, entre outros.
Djavanear 50 anos. Só Sucessos | São Paulo, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Florianópolis, Belém, Recife e Maceió | Ingressos em http://www.ticketmaster.com.br/event/djavan
TEATRO
Dan Stulbach retorna aos palcos em junho para interpretar a clássica e emblemática história de William Shakespeare após uma temporada de ingressos esgotados, com mais de 60.000 espectadores. A peça conta a história de Antônio, mercador que contrai uma dívida com o agiota Shylock e aceita dar 1 libra de sua própria carne como garantia. O não pagamento desencadeia um julgamento dramático. O Mercador de Veneza leva direção de Daniela Stirbulov e adaptação de Bruno Cavalcanti.
O Mercador de Veneza | até 26 de julho; sábados às 20h, domingos às 17h. Teatro TUCA. Rua Monte Alegre, 1.024, Perdizes, São Paulo. Ingressos em https://bileto.sympla.com.br/event/118833/d/377127/s/2513253