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A executiva que saiu das startups para reinventar uma empresa de 120 anos

Claudia Woods, da British American Tobacco, mostra como uma empresa de 120 anos usa IA do campo ao varejo sem abrir mão do humano

Claudia Woods, da BAT: “Se você aplica IA em um processo quebrado, você só tem um processo automatizado quebrado” (Claudio Gatti/Divulgação)

Claudia Woods, da BAT: “Se você aplica IA em um processo quebrado, você só tem um processo automatizado quebrado” (Claudio Gatti/Divulgação)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 23 de abril de 2026 às 06h00.

Última atualização em 23 de abril de 2026 às 10h47.

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Claudia Woods construiu carreira onde tudo muda rápido. Passou por startups, fintechs e empresas como Uber e Webmotors antes de assumir, há pouco mais de um ano, a liderança da British American Tobacco no Brasil.

A mudança de endereço poderia parecer um recuo, de ambientes ágeis para uma estrutura com mais de 120 anos. Na prática, foi o contrário. “Agora estou numa empresa que se transformou várias vezes”, diz.

A lógica de teste que aprendeu no mundo das startups, segundo ela, continua válida em qualquer escala. “Você não pode desistir de uma ideia ao se basear na suposição de que o cliente não vai adotá-la. Faz um teste, cria um piloto, mede e adapta”, afirma.

A transformação em curso na BAT começa antes da fábrica. A empresa usa inteligência artificial para definir o uso de fertilizantes no campo, prever falhas no maquinário e repor produtos no varejo.

Hoje, 80% dos pedidos de pequenos e médios varejistas são feitos por uma plataforma digital própria, um número que derruba um mito antigo da indústria.

“Existia a crença de que o pequeno varejista sempre dependeria do vendedor. Os dados mostram o contrário”, afirma. A digitalização, porém, acompanha uma mudança ainda maior: o portfólio.

A BAT vem ampliando sua atuação com novos formatos de consumo de nicotina e entrada em categorias de bem-estar, como produtos com cafeína e melatonina. Um fundo global de mais de 500 milhões de libras sustenta esse movimento.

Mas é no limite da tecnologia que Woods é mais direta. Para ela, a inteligência artificial não resolve o que o processo humano não entende.

“Se você aplica IA em um processo quebrado, você só tem um processo automatizado quebrado”

Quem conhece o processo são as pessoas inseridas nele todos os dias, e elas que vão ditar o ritmo da transformação digital. O mesmo vale para o consumidor. Dados capturam comportamento, mas a interpretação do que está por trás — o hábito, o desejo, o contexto — continua sendo tarefa humana. “No final do dia, é um ser humano consumindo”, afirma. E isso não deve mudar tão cedo.


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