Com ritmo mais lento que o resto do Brasil, Porto Alegre tem setor imobiliário desafiador

Em busca da normalidade após anos ruins
 (Julia Jabur/Exame)
(Julia Jabur/Exame)
Guilherme Guilherme
Guilherme GuilhermePublicado em 13/10/2022 às 06:00.

O retrato do mercado imobiliário de Porto Alegre segue desafiador. Ainda que os preços tenham subido, o ritmo tem sido mais lento do que no restante do país. Dados do FipeZap+ mostram que os valores de venda tiveram o menor aumento entre as principais capitais, de 2,2% nos últimos 12 meses até agosto. O preço do aluguel também teve o menor avanço, de 7,1% — crescimento que ficou até mesmo abaixo do IGP-M, índice referência para reajuste dos aluguéis, que teve alta de 8,59% no período.

“As vendas estão caminhando para a normalização, mas há uma grande quantidade de estoque para aluguel, que já dura alguns anos”, diz Moacyr Schukster, presidente do Sindicato de Habitação do Rio Grande do Sul (Secovi-RS). “Foram sete anos de fartura a partir de 2008, com os imóveis chegando a valorizar 170%. Agora estamos nos anos de vacas magras, com os preços praticamente estacionados apesar da inflação.”

A grande oferta de imóveis para locação, especialmente comerciais, tem aumentado o período de vacância. “Tem demorado 13 meses, em média, para o locador encontrar um inquilino. Imóveis com localização, condições e preço atraentes são alugados imediatamente. Mas outros podem levar de três a quatro anos para ser alugados.”

A pandemia provocou um novo baque no mercado, com estudantes passando a ter aulas virtuais e pessoas que perderam o emprego voltando a morar com os pais. “Isso fez com que muitos imóveis fossem desocupados. Mas já existe um movimento inverso. Se nada prejudicar, teremos um bom reforço nas locações a partir de janeiro”, diz Schukster. Tudo deve depender da situação macroeconômica, claro. “A renda é determinante tanto para a compra quanto para a locação do imóvel”, afirma o especialista.