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O francês que fez do centro de SP o palco de seus negócios no Brasil

Empresário Olivier Anquier escolheu pontos icônicos do bairro para abrir restaurantes e padaria. Mais um negócio vem aí

Olivier Anquier, chef e empresário: “Eu sou padeiro, mas não deixo ninguém mexer na alma dos meus negócios” (Angelo Pastorello/Divulgação)

Olivier Anquier, chef e empresário: “Eu sou padeiro, mas não deixo ninguém mexer na alma dos meus negócios” (Angelo Pastorello/Divulgação)

Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h00.

Francês radicado no Brasil desde 1979, Olivier Anquier construiu em São Paulo uma carreira que mistura panificação, restaurantes, televisão e uma relação antiga com o Centro. Quando chegou à cidade, reconheceu na arquitetura e na vida de rua algo de Paris.

Anos depois, decidiu morar onde via “a alma da cidade”, mesmo quando a região ainda era associada à decadência. Há 20 anos, comprou uma cobertura no Edifício Esther, em frente à Praça da República, então marcado por usos irregulares e baixa ocupação.

“Eu queria morar na história da cidade, em contato com todo tipo de pessoa. Eu não suporto bolha”. 

A mudança ajudou a reativar o prédio, que chegou a ser alvo de desapropriação. Mais tarde, problemas estruturais o levaram a atravessar a rua e realizar outro desejo: morar no edifício que admirava desde os anos 1980. 

Onde Olivier abriu seus negócios

A antiga cobertura virou, em 2016, um restaurante com vista para a Praça da República. Depois vieram o L’Entrecôte d’Olivier e a primeira unidade do Mundo Pão do Olivier, aberta no Edifício Esther em 2018. A pandemia fechou a padaria, mas não interrompeu a aposta no bairro.

Em 2025, Anquier voltou ao Centro com uma megaloja do Mundo Pão na esquina das avenidas Ipiranga e São Luís, onde funcionou por mais de quatro décadas uma unidade da joalheria Amsterdam Sauer.

A rede faturou R$ 19 milhões no ano passado e projeta R$ 30 milhões em 2026. O L’Entrecôte, por sua vez, teve receita de R$ 15 milhões em 2025 e prevê crescer 7% neste ano. Hoje, os negócios de panificação do grupo empregam perto de 200 pessoas em São Paulo.

A próxima aposta se chama Arquivo. Com investimento de R$ 200 mil, o espaço deve abrir em setembro para exibir gratuitamente peças do acervo pessoal do empresário por dois anos. Depois, receberá coleções de outros artistas e expositores.

“Estou fazendo o meu”, diz Anquier. “Se me dão a oportunidade de fazer algo pela cidade que me deu tudo na vida, eu faço.” 

Os outros novos 'queridinhos' do Centro

Galeria Metrópole

A Galeria Metrópole voltou a pulsar na Avenida São Luís. Seus cinco andares reúnem padarias, cafés, brechós, lojas de discos, design e ateliês. Festivais e feiras de vinil, moda e arte completam o novo circuito, que transformou o edifício modernista em polo da economia criativa no centro paulistano.

Le Freak

Inaugurado em fevereiro de 2026, o Le Freak ocupa o térreo do Conjunto Zarvos, prédio modernista de 1958. O chef Juan Pablo Montes combina técnica francesa e referências latino-americanas em clima informal. O restaurante atrai filas desde que abriu e prepara um bar no subsolo. A casa tem 75 lugares.

Balada no Martinelli

O terraço do Edifício Martinelli virou pista com vista panorâmica de São Paulo. A agenda mistura música eletrônica, samba, rap e festas temáticas, muitas com ingressos esgotados. Depois de receber 100.000 visitantes em 2024, o prédio passa por reforma e projeta superar 1 milhão de visitantes por ano após a reabertura.

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