Janaína Torres, chef e empresária: à frente do Dona Onça, ajudou a transformar o térreo do Copan em destino gastronômico (Omar Paixão/Exame)
Repórter
Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h00.
Depois de atravessar décadas em que foi associado à degradação do Centro de São Paulo, um dos mais icônicos edifícios projetados por Oscar Niemeyer chega a uma nova fase com todas as suas lojas ocupadas, fila por novos pontos e um fluxo de até 20.000 pessoas nos fins de semana.
O térreo do Copan virou uma mistura de centro comercial, praça, corredor e destino gastronômico. E uma das personagens que melhor traduzem essa virada chegou antes de ela virar tendência.
Janaína Torres abriu o Bar da Dona Onça em 2008, quando o entorno ainda carregava o estigma da insegurança e do abandono. Muita gente chamou a decisão de loucura. Ela nunca viu assim.
Nascida num cortiço no Centro, vendeu comida na Praça da República, entregou roupas no Copan ainda criança, morou no prédio e hoje vive praticamente ao lado. “Quando perguntavam quem iria para lá, eu dizia: ‘Eu’”, afirma.
Rapidamente, a aposta deu certo. Cinco meses depois da abertura, o restaurante já colecionava prêmios. Hoje, o Dona Onça recebe cerca de 15.000 clientes por mês, com tíquete médio de 130 reais. A conta indica uma receita bruta anual de 23,4 milhões de reais.
A casa tem 120 lugares e ajudou a transformar comida de panela e receitas populares em alta gastronomia.
Depois de Janaína, chegaram novos vizinhos ao Copan, como Cuia, Megafauna, Paloma e Brisa do Baru, compondo um roteiro próprio de gastronomia, cultura e serviços no local. Janaína também abriu outros negócios no Centro, como Casa do Porco, Hot Pork, Sorveteria do Centro e Merenda da Cidade.
Agora, a empresária prepara uma nova aposta: comprou o antigo Star City, restaurante fundado nos anos 1950, e prevê investir cerca de 7 milhões de reais para reabri-lo como Estrela da Cidade, com feijoada, música e memória paulistana.
Enquanto isso, o Copan se prepara para ampliar ainda mais o movimento. O antigo cinema será transformado no Nu Cine Copan, com 440 lugares, e o mirante deve voltar a receber visitantes. “O Copan voltou a ser legal, não só para o turista, mas para o paulistano”, diz o síndico do prédio, Guilherme Milani.
O novo momento do Copan também se reflete na ocupação comercial: com todas as 72 áreas preenchidas, hoje há uma fila de interessados em estar nas galerias do edifício.
A expectativa é que a reabertura do cinema e do mirante amplie ainda mais o fluxo de visitantes e fortaleça o edifício como um polo de gastronomia, cultura e serviços.
Guilherme Milani, síndico do Copan: “Hoje, o Copan não atrai só turistas. O paulistano também voltou a frequentar e a redescobrir esse espaço.” (Omar Paixão/Exame)
Projeto | Oscar Niemeyer, com colaboração de Carlos Lemos
Inauguração| 1966, após uma construção marcada por interrupções
Altura | 115 metros
Pavimentos | 32 andares distribuídos em seis blocos
Apartamentos | 1.160 unidades, de quitinetes a coberturas
Moradores | Cerca de 3.500 pessoas — mais habitantes do que 22% dos municípios brasileiros
Comércio | 72 lojas no térreo, além de uma laje corporativa
Elevadores | 22
Funcionários | 120
Área construída | 120.000 metros quadrados
Curiosidade | É considerado o maior conjunto residencial da América Latina e uma das maiores estruturas de concreto armado do Brasil
Negócios abertos | 30 desde a pandemia