Mercado de pescados em Toronto, Canadá: entre 2023 e 2025, as exportações cearenses de pescado para o país cresceram 291% (Jeff Greenberg/Universal Images Group/Getty Images)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h00.
De um lado, o atum cearense; do outro, as vieiras canadenses. A distância entre essas duas espécies deve diminuir com a articulação liderada pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), que quer transformar a pesca na porta de entrada para uma parceria entre o Ceará e a província de Nova Scotia em áreas como comércio, inovação e tecnologia.
A relação comercial entre o estado nordestino e o Canadá não é nova. Entre 2023 e 2025, as exportações cearenses de pescado para o país cresceram 291%. No ano passado, o país ocupou a sexta posição entre os destinos dos embarques de peixes do Ceará. Com a parceria, a expectativa é elevar os embarques dos atuais 2 milhões de dólares para mais de 6 milhões de dólares até 2030.
“O Ceará tem uma trajetória de desenvolvimento econômico muito ligada às atividades oceânicas. Quando identificamos o Canadá como um mercado estratégico, percebemos que havia uma complementaridade entre os dois ecossistemas”, diz Igor Gonçalves, coordenador do Chapter Ceará da CCBC.
A aposta é ir além do comércio. Entre os projetos está a instalação de plantas de processamento de pescado no Canadá com participação de empresas brasileiras. A proposta é agregar valor ao produto por meio de etapas como filetagem, embalagem e congelamento, com matéria-prima dos dois países para atender o mercado canadense e ampliar as exportações.
O momento também favorece a aproximação. A disputa tarifária entre Canadá e Estados Unidos acelerarou a busca canadense por novos parceiros comerciais, enquanto o Brasil procura diversificar seus destinos de exportação. “Existe uma janela de oportunidade que não podemos deixar passar”, afirma Gonçalves.