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Taxada nos EUA, a lagosta do Ceará busca novo destino na América do Norte

Embora a lagosta congelada tenha ficado de fora da tarifa adicional de 25% imposta pelo governo Trump, a versão viva foi incluída na cobrança

Lagosta no Ceará: No primeiro trimestre deste ano, as exportações de lagosta cearense cresceram 13% na comparação com o mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 4,6 milhões. (Christian Braga/Oceana)

Lagosta no Ceará: No primeiro trimestre deste ano, as exportações de lagosta cearense cresceram 13% na comparação com o mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 4,6 milhões. (Christian Braga/Oceana)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 23 de julho de 2026 às 16h13.

Última atualização em 23 de julho de 2026 às 16h15.

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Com as tarifas dos Estados Unidos no radar, a lagosta cearense começa a redesenhar sua estratégia de exportação. Embora a lagosta congelada tenha ficado de fora da tarifa adicional de 25% imposta pelo governo de Donald Trump, a versão viva foi incluída na cobrança, ampliando a pressão para que o setor reduza sua dependência do mercado americano.

Uma articulação liderada pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) pretende aproximar ainda mais o Ceará da província de Nova Scotia, no Canadá, em torno de uma agenda de Economia Azul — conceito que reúne atividades econômicas ligadas ao mar —, em um mercado estimado em US$ 4,9 bilhões

“Existe uma janela de oportunidade que não podemos deixar passar. O Canadá busca diversificar mercados diante das questões geopolíticas com os Estados Unidos, e o Brasil pode se inserir como um parceiro estratégico, tanto como fornecedor quanto como mercado consumidor”, afirma Igor Gonçalves, coordenador do Chapter Ceará da CCBC.

No primeiro trimestre deste ano, as exportações de lagosta cearense cresceram 13% na comparação com o mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 4,6 milhões. O estado responde por 58% dos embarques brasileiros do pescado.

A Austrália assumiu a liderança entre os principais destinos, com US$ 2,18 milhões em compras, avanço de 63% na comparação anual. A China aparece na sequência, com US$ 935 mil, crescimento de 17%.

Na direção oposta, os Estados Unidos registraram retração de 15% nas compras, que somaram US$ 986 mil, segundo levantamento do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).

O pescado do Ceará

A aproximação vai além da venda de lagosta, atum e peixes vermelhos. A CCBC quer conectar empresas cearenses a instituições de referência em Nova Scotia, uma das principais regiões de pesquisa e tecnologia oceânica do Canadá.

Entre os potenciais parceiros estão a Dalhousie University, referência canadense em pesquisa marinha; o Bedford Institute of Oceanography, maior centro federal de estudos oceânicos do país.

A expectativa é desenvolver projetos em áreas como rastreabilidade, conservação de pescado, monitoramento marítimo, aquicultura e logística.

A relação do Ceará com o Canadá não é nova. Entre 2023 e 2025, as exportações cearenses de pescado para o país cresceram 291%, enquanto as brasileiras avançaram 167%.

Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil exportou US$ 1,82 milhão em pescado para o Canadá. O Ceará respondeu por US$ 217,4 mil, ou 12% do total.

O Ceará também lidera a produção nacional de aquicultura marinha e respondeu por mais da metade da produção do Nordeste. Além da lagosta, o estado tem presença relevante na produção e exportação de atum e peixes vermelhos.

A estratégia é usar o comércio de pescado como ponto de partida para uma relação mais ampla, baseada em tecnologia, ciência e investimentos.

Segundo Gonçalves, a Economia Azul foi escolhida por oferecer resultados mais rápidos do que setores dependentes de grandes obras ou investimentos de longo prazo.

“A gente entende que a economia azul pode ser a melhor ferramenta de aproximação imediata porque fala de relações comerciais com grande potencial de complementaridade”, diz.

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