Revista Exame

Reconstrução da Venezuela após terremotos custará bilhões de dólares

País terá reconstrução difícil pela frente, o que afetará rumos políticos

Escombros de terremoto: La Guaira foi um dos locais mais atingidos pela tragédia (Jorge Rodríguez/Rayner Peña/EFE)

Escombros de terremoto: La Guaira foi um dos locais mais atingidos pela tragédia (Jorge Rodríguez/Rayner Peña/EFE)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h00.

Os terremotos são uma das provas de que mudanças radicais podem ocorrer rapidamente. Na Venezuela, dois deles, separados por 39 segundos entre si, deixaram milhares de mortos e um dano de pelo menos 37 bilhões de dólares, segundo cálculos da ONU. Isso equivale a 37% do PIB do país em 2025, estimado em 99 bilhões de dólares.

A conta dos estragos inclui 24 bilhões de dólares em danos a imóveis, como casas, escolas e hospitais, e mais 13 bilhões em infraestrutura, como estradas e geração de energia. Só as telecomunicações tiveram um prejuízo de 5 bilhões. 

Os tremores exacerbam as duas crises que o país vive: uma economia abalada há anos por inflação persistente e um governo que não consegue atender às necessidades da população.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, atua sob tutela dos EUA após a captura de Nicolás Maduro, e a reconstrução traz uma incógnita: ela pode acelerar ou adiar a transição de poder.

De um lado, o governo atual pode usar a tragédia como desculpa para postergar novas eleições. No entanto, a demora na reconstrução poderá aumentar a revolta da população e enfraquecer o regime, que tenta se reinventar para continuar a existir.


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