Musk no IPO da SpaceX: 75 bilhões de dólares levantados para projetos que incluem a chegada a Marte (Erik Pendzich/Alamy/Fotoarena)
Diretor de redação da Exame
Publicado em 25 de junho de 2026 às 06h00.
A euforia com a inteligência artificial e com as novas possibilidades tecnológicas fez o mundo dos negócios trocar os bilhões pelos trilhões. Primeiro, com o valor de mercado dos gigantes da tecnologia, como Nvidia, Apple e Alphabet. Depois, com o valor estimado para as novatas, caso de Anthropic, OpenAI e SpaceX. Esta última de fato listou suas ações, levantando neste mês 75 bilhões de dólares e trazendo um novo trilhão à tona: o das fortunas pessoais. Seu controlador, Elon Musk, passou a ser a primeira pessoa na história com 12 zeros na conta bancária. Tudo isso graças a planos de ida a Marte, de exploração lunar e de data centers no espaço, alimentados pelo Sol e resfriados pelo vácuo.
As possibilidades são de fato extraordinárias. Nos últimos três anos, investidores e consumidores têm se debruçado sobre elas — com maior ou menor grau de otimismo. O personagem de capa desta edição, o CEO do Google, -Sundar -Pichai, alertou para a transformação da inteligência artificial há cerca de uma década, num discurso em Davos em 2018. De lá para cá, vem preparando sua empresa para este admirável mundo novo. Isso não impediu que a velocidade das mudanças o pegasse de surpresa após a chegada do ChatGPT, em 2022. Pichai ligou um alerta vermelho no Google e acelerou investimentos para lançar novos produtos e serviços turbinados pela IA. A reportagem assinada por André Lopes e Tamires Vitorio mostra como a ofensiva deu certo. A Alphabet, controladora do Google, reassumiu por uns dias o posto de empresa mais valiosa do mundo e vem brigando pela liderança. Os investidores valorizam a variedade de negócios da empresa, do chip ao prompt. Já os consumidores vêm percebendo como o amplo conhecimento que o Google tem de seus hábitos acelera a capacidade da empresa de lançar serviços já conectados com seu dia a dia.
Num momento de euforia e de planos espaciais, a experiência de 25 anos do Google em facilitar a rotina de bilhões de pessoas é uma grande vantagem competitiva. Sobram desafios, a começar pelas dúvidas sobre como monetizar os novos serviços a ponto de reduzir a dependência do tradicional e pra lá de lucrativo buscador. O Brasil tende a ser protagonista em quaisquer projetos futuros, com um novo centro de IA inaugurado pela empresa em São Paulo. A ampla conexão dos brasileiros com tecnologia e redes sociais é um gatilho também para startups nacionais transformarem seus negócios. Esta edição traz também a história de dez empresas brasileiras que lançaram negócios de IA com potencial de expansão para além das fronteiras. Por enquanto, ainda no Planeta Terra. Mas, por que não, num futuro não tão distante, para além dele?


