(Arte/Exame)
Repórter de Negócios
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 21h00.
As empresas que mais cresceram na categoria de 5 milhões a 30 milhões de reais não vendem diretamente para o consumidor final. Elas crescem ao assumir tarefas complexas dos clientes. Com 198 inscritas, essa foi a maior categoria do Ranking EXAME Negócios em Expansão 2026.
Hoje, um órgão público consegue descobrir em segundos, e sem ação humana, quais empresas de um estado descumprem uma regra de contratação. Basta cruzar os dados que elas mesmas enviam ao eSocial. Não é mais preciso esperar um fiscal bater à porta. “As urgências vão se apresentando e alguns assuntos importantes vão ficando para trás, até que cai a ficha”, diz o catarinense Arnaldo Glavam Jr., fundador do Grupo AG, de Florianópolis.
A Agnes, empresa do grupo criada em 2023, tenta chegar antes do governo. Varre a folha de pagamento do cliente e aponta o que está fora da lei antes que a fiscalização encontre o problema. A receita operacional líquida saltou de 3,3 milhões de reais para 20,5 milhões de reais em 2025, alta de 525%, a maior da categoria.
São apenas 12 clientes, quase todos do setor público, com o governo de São Paulo à frente. Agora, a empresa mira as 100 maiores prefeituras do país.
Verônica Taquette, da Maravi: desenvolvedora lidera empresa que cresceu 311% em 2025 (Leandro Fonseca/Exame)
Na segunda posição está a carioca Maravi, que tira outro peso das costas dos clientes. Fundada também em 2023, licencia sistemas de backoffice para gestoras de fundos e organiza as contas que elas precisam prestar à CVM, ao Banco Central, à Anbima e à Receita. São 68 clientes, entre eles a gestora da Porto Seguro. A receita cresceu 311% em 2025, para 11,8 milhões de reais.
O problema aparece à medida que as gestoras crescem. Um sistema cuida de um fundo, outro de uma carteira, um terceiro de outra operação. “Fica um Frankenstein de sistemas bem ruim”, diz a fundadora Verônica Taquette. A Maravi juntou tudo, no Brasil e no exterior, em um sistema só e correu para ganhar espaço. Depois que a plataforma entra, trocar custa caro.
Arnaldo Glavam Jr., do Grupo AG: companhia cresceu 525% e lidera a categoria (Grupo AG/Divulgação)
Fecha o pódio a Birdie, de São Carlos, no interior de São Paulo, que tenta organizar uma bagunça menos visível. Ligações, chats, avaliações e pesquisas guardam boa parte do que os clientes dizem sobre uma empresa. O problema é que essas informações ficam espalhadas em várias áreas e quase nunca chegam juntas a quem decide.
A Birdie reúne o material, classifica as conversas e mostra os sinais em um só lugar. Hoje atende mais de 50 grandes clientes, como Nubank, iFood e Natura, e cresceu 277% no ano passado, atingindo 8,3 milhões de reais. “O que falta nas empresas é contexto”, diz o fundador Alexandre Hadade.
Alexandre Hadade, da Birdie: receita cresceu 277%, terceira maior expansão da categoria (Birdie/Divulgação)
Em 32o e 36o lugares, outras duas empresas seguem a mesma lógica. A paulistana Nexforce, criada sem dinheiro de investidor, montou um marketplace para empresas que compram software de fora do país. Para clientes como iFood e OLX, cuida do câmbio, dos impostos e dos contratos de nuvem.
“O cliente compra qualquer software com a gente, independentemente da infraestrutura, e fica até 50% mais barato do que contratar direto”, diz o fundador Fernando Vitti. A empresa faturou 24,6 milhões de reais em 2025, alta de 93%.
Fernando Vitti, da Nexforce: receita da plataforma subiu 93% em 12 meses (Nexforce/Divulgação)
Já a Magis5, do interior de São Paulo, organiza a rotina de quem vende em grandes marketplaces. Cuida de notas fiscais, estoque e pedidos que chegam de várias plataformas ao mesmo tempo. A ideia nasceu dentro de casa. Aos 70 anos, a mãe do sócio Vitor Lima se perdia nas notas fiscais das próprias vendas online.
Desenvolvedor, ele criou um sistema para resolver o problema dela e depois passou a vendê-lo a outros lojistas. A Magis5 cresceu 87%, para 13,1 milhões de reais, e foi comprada pelo grupo mineiro Sankhya em abril deste ano.