Revista Exame

NEEX 2026: na categoria de R$ 5 mi a R$ 30 mi, cresce quem assume tarefas complexas dos clientes

A catarinense Agnes, campeã da categoria, registrou 525% de expansão em 12 meses antecipando a burocracia governamental com expertise tributária

 (Arte/Exame)

(Arte/Exame)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 21h00.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreNegócios em Expansão (NEEX)
Saiba mais

As empresas que mais cresceram na categoria de 5 milhões a 30 milhões de reais não vendem diretamente para o consumidor final. Elas crescem ao assumir tarefas complexas dos clientes. Com 198 inscritas, essa foi a maior categoria do Ranking EXAME Negócios em Expansão 2026.

Hoje, um órgão público consegue descobrir em segundos, e sem ação humana, quais empresas de um estado descumprem uma regra de contratação. Basta cruzar os dados que elas mesmas enviam ao eSocial. Não é mais preciso esperar um fiscal bater à porta. “As urgências vão se apresentando e alguns assuntos importantes vão ficando para trás, até que cai a ficha”, diz o catarinense Arnaldo Glavam Jr., fundador do Grupo AG, de Florianópolis.

Maiores prefeituras do Brasil

A Agnes, empresa do grupo criada em 2023, tenta chegar antes do governo. Varre a folha de pagamento do cliente e aponta o que está fora da lei antes que a fiscalização encontre o problema. A receita operacional líquida saltou de 3,3 milhões de reais para 20,5 milhões de reais em 2025, alta de 525%, a maior da categoria.

São apenas 12 clientes, quase todos do setor público, com o governo de São Paulo à frente. Agora, a empresa mira as 100 maiores prefeituras do país.

Verônica Taquette, da Maravi: desenvolvedora lidera empresa que cresceu 311% em 2025 (Leandro Fonseca/Exame)

Na segunda posição está a carioca Maravi, que tira outro peso das costas dos clientes. Fundada também em 2023, licencia sistemas de backoffice para gestoras de fundos e organiza as contas que elas precisam prestar à CVM, ao Banco Central, à Anbima e à Receita. São 68 clientes, entre eles a gestora da Porto Seguro. A receita cresceu 311% em 2025, para 11,8 milhões de reais.

O problema aparece à medida que as gestoras crescem. Um sistema cuida de um fundo, outro de uma carteira, um terceiro de outra operação. “Fica um Frankenstein de sistemas bem ruim”, diz a fundadora Verônica Taquette. A Maravi juntou tudo, no Brasil e no exterior, em um sistema só e correu para ganhar espaço. Depois que a plataforma entra, trocar custa caro.

Arnaldo Glavam Jr., do Grupo AG: companhia cresceu 525% e lidera a categoria (Grupo AG/Divulgação)

Fecha o pódio a Birdie, de São Carlos, no interior de São Paulo, que tenta organizar uma bagunça menos visível. Ligações, chats, avaliações e pesquisas guardam boa parte do que os clientes dizem sobre uma empresa. O problema é que essas informações ficam espalhadas em várias áreas e quase nunca chegam juntas a quem decide.

A Birdie reúne o material, classifica as conversas e mostra os sinais em um só lugar. Hoje atende mais de 50 grandes clientes, como Nubank, iFood e Natura, e cresceu 277% no ano passado, atingindo 8,3 milhões de reais. “O que falta nas empresas é contexto”, diz o fundador Alexandre Hadade.

Alexandre Hadade, da Birdie: receita cresceu 277%, terceira maior expansão da categoria (Birdie/Divulgação)

Em 32o e 36o lugares, outras duas empresas seguem a mesma lógica. A paulistana Nexforce, criada sem dinheiro de investidor, montou um marketplace para empresas que compram software de fora do país. Para clientes como iFood e OLX, cuida do câmbio, dos impostos e dos contratos de nuvem.

“O cliente compra qualquer software com a gente, independentemente da infraestrutura, e fica até 50% mais barato do que contratar direto”, diz o fundador Fernando Vitti. A empresa faturou 24,6 milhões de reais em 2025, alta de 93%.

Fernando Vitti, da Nexforce: receita da plataforma subiu 93% em 12 meses (Nexforce/Divulgação)

Já a Magis5, do interior de São Paulo, organiza a rotina de quem vende em grandes marketplaces. Cuida de notas fiscais, estoque e pedidos que chegam de várias plataformas ao mesmo tempo. A ideia nasceu dentro de casa. Aos 70 anos, a mãe do sócio Vitor Lima se perdia nas notas fiscais das próprias vendas online.

Desenvolvedor, ele criou um sistema para resolver o problema dela e depois passou a vendê-lo a outros lojistas. A Magis5 cresceu 87%, para 13,1 milhões de reais, e foi comprada pelo grupo mineiro Sankhya em abril deste ano.

Acompanhe tudo sobre:1290Negócios em Expansão (NEEX)

Mais de Revista Exame

Censo Neex: o que pensam os empreendedores por trás das empresas que mais crescem no país

Novatas: a categoria das empresas que mais crescem no ranking Negócios em Expansão 2026

Estreante no NEEX, categoria de R$ 600 milhões a R$ 1 bi tem empresas que cresceram com o ranking

NEEX 2026: economia real e tecnologia empurram líderes da categoria de R$ 30 mi a R$ 150 mi