(Arte/Exame)
Repórter
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 21h00.
O engenheiro civil cearense Clausens Duarte começou a construir sua empresa antes de conseguir construir casas. Sem dinheiro para comprar terrenos, passou os primeiros anos fazendo pequenas reformas de lojas.
A virada veio em 2000, dois anos depois de fundar a CR Duarte Engenharia, de Fortaleza, quando tirou do papel seu primeiro empreendimento residencial: um condomínio de dez casas. Hoje, a construtora soma mais de 6.500 imóveis entregues, 850 funcionários e nove canteiros.
Em 2025, alcançou receita líquida operacional de 67,3 milhões de reais e cresceu 1.892%, a maior expansão entre as empresas de 30 milhões a 150 milhões de reais.
A retomada do Minha Casa, Minha Vida foi o principal combustível. A empresa mantém cerca de 1.600 unidades em construção e terrenos para mais de 20.000 moradias.
Agora, o empresário prevê crescer 30% em 2026 e investir 20 milhões de reais em tecnologia nos canteiros até 2027. “O nosso déficit habitacional ainda está na ordem de quase 6 milhões de habitações; temos muito espaço para crescer no Brasil”, diz Duarte, que continuará apostando no estado nordestino.
Clausens Duarte, fundador e CEO da CR Duarte Engenharia: construtora cresceu 1.892% em 2025, impulsionada pelo Minha Casa, Minha Vida (CR Duarte Engenharia/Divulgação)
Se na construção a IA ainda começa a ganhar espaço, nos seguros ela já está dentro da operação. Fundada em 2020 pelos ex-funcionários do Nubank Mauro Levi D’Ancona e Franco Lamping, a paulistana 180 Seguros teve receita líquida operacional de 124,5 milhões de reais, cresceu 1.874,3% e ficou em segundo lugar.
O salto veio depois de obter licença para operar como seguradora, em 2023, e conectar mais de 20 novos parceiros em 2025. Hoje, a IA participa de 80% das análises de sinistros. “Nascemos de uma empresa de tecnologia, e isso nos faz ser diferentes de todo o resto do mercado de seguros”, diz o presidente D’Ancona. A meta é entrar no grupo das dez maiores seguradoras do Brasil nos próximos anos.
A inteligência artificial também está no centro da estratégia da Swile. Fundada na França em 2018, a HRTech chegou ao Brasil em 2021 e alcançou 1 milhão de usuários ativos, break even e receita de 107,2 milhões de reais em 2025, com crescimento de 54,1% em relação ao ano anterior. Sob o comando do novo CEO, Denis Tassitano, a meta da empresa é crescer 40% no Brasil neste ano.
A próxima avenida é a experiência com viagem, reunindo benefícios, despesas, reembolsos e agendas de viagens corporativas no mesmo aplicativo. “A ideia é que o funcionário tenha um único ponto de contato para toda a sua vida financeira dentro da empresa”, diz Tassitano.
Denis Tassitano, CEO da Swile Brasil: companhia mira crescimento de 40% e aposta em soluções para RH e financeiro por meio da IA (Swile Brasil/Divulgação)
Tecnologia e distribuição também impulsionaram a terceira colocada deste ranking. Comandada pelo matemático Wagner Ferreira, a Teddy Digital, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, registrou receita líquida operacional de 122,3 milhões de reais e crescimento de 1.163,2%.
A fintech conecta instituições financeiras a cerca de 12.000 especialistas que distribuem crédito, enquanto quase 100 agentes de IA ajudam a gerar resultado. “Conceder crédito é bom, mas conceder o crédito certo para a pessoa certa é melhor”, diz Ferreira. A projeção é chegar a 273 milhões de reais de receita bruta em 2026.