Revista Exame

'Quem vende tudo não vende nada': a lição de Carla Sarni para clínica de estética

Clínica de estética Grupo Salus, no ABC Paulista, tem boa base de clientes fiéis, mas tropeça na gestão básica

Publicado em 23 de abril de 2026 às 06h00.

Última atualização em 23 de abril de 2026 às 10h45.

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No mercado de estética, crescer não é questão de oferecer mais serviços. É saber o que você vende, para quem e o que acontece depois que o cliente sai pela porta.

Esse foi o diagnóstico do novo episódio do Choque de Gestão. A empresa analisada é a Clínica Brendaglia, fundada por Bruna Brendaglia em Santo André, no ABC Paulista. Com sete anos de operação e cerca de 200 atendimentos por mês, a clínica chegou ao programa com uma meta: crescer 30% no faturamento.

A mentora é Carla Sarni, fundadora do Grupo Salus, com centenas de unidades das marcas Gio Estética Avançada e Sorridents. Ao visitar a operação, encontrou um portfólio extenso. Botox, emagrecimento, spa, depilação, tratamentos capilares e nutricionista. “Quem vende tudo não vende nada”, afirmou. O risco, segundo ela, é criar um negócio difícil de comunicar e ainda mais difícil de escalar.

O ponto mais crítico está na gestão. A clínica não acompanhava nenhum indicador: conversão de vendas, tíquete médio e retorno de clientes. “Misericórdia”, reagiu Sarni ao descobrir. Sem dados, não há gestão. E, sem gestão, o investimento em tráfego pago, que converte apenas uma ou duas vendas a cada dez contatos, vira custo, não crescimento.

O maior ativo da empresa já está dentro de casa: entre 50% e 60% dos clientes chegam por indicação. O problema é que o pós-venda é inexistente. Clientes atendidos deixam de ser acionados e acabam esquecidos. “O maior patrimônio que o negócio pode ter é a base de clientes”, diz Sarni. Antes de buscar novos consumidores, é preciso ativar quem já comprou.


Lições de Carla Sarni para clínicas e negócios de serviço

1) Foco antes de variedade
Portfólio amplo dilui posicionamento e dificulta comunicação. Menos serviços, executados com excelência, geram mais resultado.

2) Dados não são luxo
Acompanhar conversão, tíquete médio, captação e tempo de fechamento é o mínimo para qualquer negócio. Sem números, há suposição, não gestão.

3) O melhor lead é a sua base
Clientes ativos e satisfeitos têm maior propensão ao retorno. Ignorá-los enquanto se busca novos consumidores é desperdício direto de receita.


Choque de Gestão
Neste projeto, pequenas e médias empresas com dores de crescimento recebem conselhos de grandes lideranças empresariais brasileiras. O resultado pode ser visto em episódios quinzenais no YouTube da EXAME.

 



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