Beatriz Milhazes: retrospectiva na Pinacoteca (Leandro Fonseca /Exame)
Editor de Casual e Especiais
Publicado em 25 de junho de 2026 às 06h00.
Pode-se dizer que Beatriz Milhazes é a cara da arte brasileira. Real e metaforicamente. O mercado por aqui tem demonstrado a energia colorida de O Mágico e a geometria musical de O Elefante Azul, para ficar em duas das telas mais conhecidas da artista carioca. Basta ver o burburinho em anos mais recentes em torno dos salões, feiras, exposições e bienais.
Para Fernanda Feitosa, idealizadora e diretora da SP-Arte, o panorama anda mais positivo para as artes brasileiras. “Nos Estados Unidos e na Europa, em razão dos conflitos armados, o setor não está avançando tanto quanto poderia”, diz. “No Brasil, pela distância disso tudo, o segmento demonstra mais vitalidade.”
A julgar pela 22a edição da SP-Arte, realizada neste ano, o mercado nacional enfrenta um cenário para lá de favorável. Diversas participantes registraram vendas expressivas — para a Fortes D’Aloia & Gabriel, por exemplo, foi a edição mais lucrativa. “A SP-Arte é um termômetro muito preciso do grau de atividade desse setor”, afirma Feitosa.
Outras galerias, como Nara Roesler, Almeida & Dale e Galatea, comemoram bons resultados. Nomes promissores, a exemplo de Gabriel Branco, Adriel Visoto e Luana Vitra, têm chamado atenção, aqui e no exterior. Nos bastidores, jovens como Amanda Carneiro, Raphael Fonseca, Ana Carolina Ralston, Camila Yunes e Renato Menezes aconselham colecionadores e assinam curadorias de mostras festejadas.
Menezes é o responsável pela exibição na Pinacoteca do trabalho das últimas duas décadas de -Beatriz Milhazes, capa desta primeira edição do ano da revista Casual EXAME, que tem arte como tema. Para Milhazes, a primeira brasileira a ganhar uma individual no Guggenheim de Nova York, uma retrospectiva significa enfrentar o que ela própria descreve como um dos exercícios mais estranhos dessa profissão: olhar para trás.
Beatriz Milhazes pertence à chamada “Geração 80”, grupo de artistas que emergiu no Brasil ainda sob o peso da ditadura militar e que acabou profissionalizando o mercado e abrindo a produção nacional para o circuito internacional. Se hoje podemos celebrar o bom momento das nossas artes, muito se deve ao trabalho de autoras como ela. Sorte a nossa.

