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SZA critica empresas de IA e expõe uso de mais de 200 músicas sem autorização

Cantora afirma que centenas de suas músicas foram usadas em bases de treinamento e critica a atuação de empresas do setor

SZA: Artista questiona o uso de obras sem consentimento e acusa a indústria de explorar criadores (Andrew Chin/Getty Images)

SZA: Artista questiona o uso de obras sem consentimento e acusa a indústria de explorar criadores (Andrew Chin/Getty Images)

Publicado em 1 de julho de 2026 às 15h16.

Última atualização em 1 de julho de 2026 às 15h16.

A cantora SZA voltou a se posicionar contra o avanço da inteligência artificial na indústria musical. Em publicações nas redes sociais, a artista afirmou ter descoberto que centenas de suas músicas foram utilizadas para treinar sistemas de IA, sem sua autorização.

Segundo SZA, uma ferramenta lançada recentemente permitiu que músicos verificassem se suas obras apareciam em conjuntos de dados usados por empresas de inteligência artificial. Ao consultar seu nome, ela encontrou 238 músicas associadas a essas bases, incluindo faixas que acredita nunca terem sido lançadas oficialmente.

“Acabei de verificar e a IA musical foi treinada com base em 238 das minhas músicas. Tenho certeza de que algumas são inéditas. Se você é músico e apoia essa merda degenerada? Você é repugnante e NÃO HÁ NADA QUE VOCÊ POSSA ME DIZER PARA TORNAR ISSO ACEITÁVEL.”, reagiu a artista.

A cantora SZA usou suas redes sociais para criticar empresas que estão usando suas músicas para treinar IAs (Reprodução/Instagram)

Críticas à indústria de IA

A cantora não poupou críticas às empresas responsáveis pelo desenvolvimento de modelos de geração musical. Em uma das mensagens, ela afirmou que músicos que apoiam esse tipo de tecnologia estão contribuindo para uma prática que considera prejudicial aos criadores.

O caso ganhou ainda mais repercussão quando SZA mencionou o produtor Diplo. Em uma publicação compartilhada em sua conta privada no Instagram, SZA direcionou críticas ao integrante do Major Lazer, acusando-o de contribuir para práticas que, segundo ela, ampliam a exploração de artistas por meio da inteligência artificial.

A artista alegou que ele possui participação na plataforma de geração musical Suno e estaria colaborando com iniciativas voltadas ao treinamento de sistemas de IA utilizando obras de compositores e produtores.

"Não sei quem precisa ouvir isso, mas Diplo tem participação na Suno e está ativamente tentando treiná-la com as mentes negras mais brilhantes de compositores e produtores", criticou a cantora.

Apesar de não existirem registros públicos que liguem diretamente Diplo à Suno, o jornal The Wall Street Journal apontou, em março, que o músico está entre os investidores da startup de inteligência artificial Aaru, avaliada em bilhões de dólares.

O que é a Suno?

A Suno é atualmente uma das plataformas de inteligência artificial generativa voltadas para música mais populares do mercado. Em 2024, a empresa e a concorrente Udio foram processadas por três grandes gravadoras, que as acusaram de utilizar obras protegidas por direitos autorais sem autorização para treinar seus modelos. Em resposta, a Suno sustentou que esse uso se enquadra no princípio jurídico do "uso justo" (fair use).

Inicialmente, a plataforma permitia a criação de músicas a partir de comandos de texto, em um funcionamento semelhante ao do ChatGPT. Com o passar do tempo, o serviço ampliou seus recursos e passou a testar ferramentas que utilizam vídeos, imagens, trechos de músicas, vocais a cappella, loops e outros arquivos de áudio enviados pelos usuários como base para novas composições.

Em abril, Diplo comentou em suas redes sociais sobre o impacto da inteligência artificial no futuro da música. Na publicação, o artista afirmou que músicos precisarão se adaptar à nova realidade tecnológica ou correrão o risco de ficar para trás profissionalmente.

"Se você é um artista, precisa se adaptar ou simplesmente desistir", escreveu no X. Em seguida, acrescentou que a inteligência artificial jamais reproduzirá experiências humanas complexas, citando desafios pessoais relacionados à saúde mental e à neurodivergência como exemplos de elementos que influenciam seu processo criativo.

Debate sobre artistas negros

Outro ponto levantado por SZA foi o impacto da tecnologia sobre artistas negros. A cantora afirmou que criadores negros exercem influência significativa na música global, mas continuam vulneráveis à apropriação de suas obras e estilos sem proteção adequada.

Nas publicações, ela questionou a ausência de mecanismos legais mais robustos para proteger músicos e compositores diante do avanço da inteligência artificial. A artista também incentivou colegas de profissão a não contribuírem voluntariamente com sistemas de treinamento de IA.

As críticas de SZA também estão alinhadas a posicionamentos que a cantora já havia adotado anteriormente sobre os impactos ambientais da inteligência artificial. No ano passado, ela relacionou o avanço dessas tecnologias a questões de racismo ambiental, argumentando que o crescimento de plataformas como ChatGPT e Grok tem custos sociais e ecológicos frequentemente ignorados.

Na ocasião, a artista afirmou que a operação desses sistemas contribui para o aumento da poluição e do consumo de recursos naturais, como água e energia, afetando principalmente comunidades mais vulneráveis. Em uma publicação, SZA declarou que "há um preço pela conveniência" e defendeu que populações negras e pardas acabam arcando de forma desproporcional com as consequências desse modelo de desenvolvimento tecnológico.

Outros artistas também se manifestaram sobre o tema

As críticas à Suno não partiram apenas de SZA. O produtor Kenneth Blume também se manifestou contra a empresa, acusando-a de lucrar com o trabalho de artistas sem oferecer compensação adequada. Em uma publicação no X (antigo Twitter), ele afirmou não conseguir imaginar como funcionários da companhia podem se orgulhar de receber salários enquanto, segundo sua visão, prejudicam o sustento e os sonhos de músicos independentes.

A discussão também chegou ao Bluesky, onde a DJ Sabrina the Teenage DJ relacionou as críticas recebidas por sua sonoridade ao uso de suas próprias músicas em bases de treinamento de inteligência artificial. A artista revelou ter encontrado 22 faixas de sua autoria em conjuntos de dados utilizados por sistemas generativos.

Segundo ela, as comparações entre seu trabalho e músicas criadas por IA só começaram a surgir depois que essas bases passaram a ser usadas para treinar modelos capazes de gerar canções automaticamente. A DJ argumentou que a semelhança apontada por alguns ouvintes pode ser consequência direta da utilização de suas composições no treinamento dessas ferramentas, e não o contrário.

to everyone who thought my music sounded like ai slop, did you ever think it was because Suno was using a dataset that contained 22 of my songs?

it’s funny how there were no accusations of my music sounding like ai slop until these datasets started getting used to generate slop

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— DJ Sabrina The Teenage DJ (@djsabrina.bsky.social) 18 de junho de 2026 às 04:57

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