Heitor dos Prazeres: carnavalesco e multiartista histórico será enredo da Vila Isabel em 2026
Estagiária de jornalismo
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 18 de fevereiro de 2026 às 10h19.
A Unidos de Vila Isabel levou para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2026 o enredo "Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África", uma homenagem a Heitor dos Prazeres. A escola foi a segunda a desfilar na última terça-feira, 17 de fevereiro.
O enredo marcou a estreia dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad na Vila Isabel, após passagem pela Grande Rio. A dupla assinou o projeto em parceria com o enredista Vinicius Natal.

Heitor dos Prazeres nasceu em 1898 e morreu em 1966 e viveu sempre na capital carioca. Foi cantor, compositor e artista plástico que conviveu com sambistas fundamentais para a criação do gênero, como Tia Ciata, João da Baiana e Ismael Silva.
Além de ter sido um dos fundadores de cinco escolas de samba — Mangueira, Portela, Unidos da Tijuca, Vizinha Faladeira e Deixa Falar —, o multiartista também atuou como costureiro, cenógrafo e foi criador do nome Pequena África, região onde fica a Pedra do Sal, na zona portuária do Rio.
Na casa de Tia Ciata, na Praça Onze, Heitor se tornou Ogã Alabê-Nilu, o chefe dos tambores no terreiro. Ali, na chamada Pequena África, o samba e o candomblé andavam juntos, influenciando a carreira do artista.
Como compositor, fez parceria com Noel Rosa na música "Pierrô Apaixonado", gravada posteriormente por Martinho da Vila. Como pintor, retratava o cotidiano do povo: bailes, festas, terreiros, trabalhadores e crianças brincando.
Heitor começou a pintar aos 39 anos, após perder a esposa. Sua primeira tela foi uma interpretação de um poema de Carlos Drummond de Andrade: “O homem e seu carnaval”, feito em homenagem a ele próprio.

Apesar de ter fundado cinco escolas de samba, Heitor dos Prazeres nunca tinha sido enredo no Grupo Especial do Rio de Janeiro. "Como um fundador de escola de samba, um grande pintor, grande músico, costureiro, cenógrafo ainda não tinha sido enredo?", questionou Gabriel Haddad em entrevistas em 2025, quando o enredo foi escolhido.
O artista já havia sido citado em outras escolas e foi enredo no Grupo de Acesso, mas nunca no Grupo Especial.
O enredo dividiu os setores a partir dos nomes que Heitor teve na vida: o menino Lino, o Ogã Alabê-Nilu, o Mano Heitor do Cavaco, o afro-rei Pierrot e o grande final, quando foi embaixador cultural e representou o Brasil no primeiro Festival Mundial de Artes Negras em Dakar, no Senegal, em um carro que trouxe Heitorzinho, filho do artista.
O homenageado foi representado logo na comissão de frente, que resumiu sua vida. As cores de suas obras estiveram todo o desfile, em especial nos jalecos pintados à mão da bateria, comandada pela rainha Sabrina Sato.

A escola se concentrou na região conhecida como "Balança", em referência ao Edifício Balança Mas Não Cai, construído exatamente onde ficava a Praça Onze, origem do samba no Rio e palco de manifestações culturais da população negra. No local também fica o busto de Zumbi dos Palmares.
A Unidos de Vila Isabel foi considerada como um dos grandes destaques do Grupo Especial carioca e, com Heitor dos Prazeres, está em busca de seu quarto título.