Loja da Lego em Xangai: expansão de portfólio e novas lojas ajudam fabricante a atrair consumidores na China e na Índia (CFOTO/Future Publishing /Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 1 de março de 2026 às 05h01.
Última atualização em 2 de março de 2026 às 14h18.
A LEGO mantém há décadas preço médio próximo de US$ 0,10 por peça. Ainda assim, a percepção de alto custo permanece, especialmente em conjuntos com milhares de blocos e foco no público adulto.
Modelos de grande porte alcançam valores elevados no varejo internacional. O Titanic, com 9.090 peças, é comercializado por cerca R$ 7 mil. A Estrela da Morte, ícone de Star Wars, também tem cerca de 9 mil peças e é vendida por R$ 10 mil segundo o site da loja oficial da Lego no Brasil.
O tíquete médio sobe conforme aumenta o número de peças, o grau de detalhamento e o posicionamento do produto, mas existem alguns outros fatores que explicam os preços do brinquedo:
A LEGO é líder mundial no segmento de blocos de montar e construiu uma marca associada a qualidade, durabilidade e precisão. Em muitos mercados, o nome “Lego” é utilizado como sinônimo de bloco de construção.
Esse reconhecimento sustenta um posicionamento premium. Como ocorre em outros setores de consumo, marcas consolidadas conseguem operar com margens superiores em comparação a concorrentes que disputam preço.
Além disso, a empresa ampliou o portfólio voltado para AFOLs (Adult Fans Of Lego) com conjuntos maiores, mais complexos e voltados à coleção e exposição, o que eleva o valor final.
Segundo a própria LEGO, os blocos são produzidos com termoplástico de alta durabilidade. A empresa trabalha com tolerância de apenas 0,0005 polegada nas dimensões das peças.
Esse nível de precisão garante encaixe uniforme e firme. Peças fabricadas há mais de 60 anos continuam compatíveis com as atuais, o que exige padrão industrial rigoroso e controle constante de qualidade.
O processo envolve moldes metálicos de alta precisão, testes de resistência e padronização de cores.
A LEGO afirma manter investimento contínuo em Pesquisa e Desenvolvimento para aperfeiçoar design, engenharia e materiais. Um dos focos recentes é a substituição gradual do plástico de origem fóssil.
A companhia já informou que paga até 70% a mais por resina renovável certificada em comparação ao plástico convencional. O movimento eleva o custo de produção por peça.
Mais de 600 materiais já foram testados na busca por alternativas ao plástico ABS que mantenham resistência, cor e capacidade de encaixe. A transição para matérias-primas renováveis ocorre, de acordo com a empresa, de forma progressiva.
Antes de chegar às lojas, cada conjunto passa por etapas de validação interna.
Projetos que dependem de grande quantidade de peças inéditas tendem a ser reavaliados, já que novos moldes elevam custos industriais.
O desenvolvimento também inclui testes físicos de montagem e desmontagem repetidas vezes, o que adiciona tempo e investimento ao ciclo de produção.
Parte relevante do faturamento vem de linhas associadas a franquias como Star Wars, Harry Potter e Super Mario.
Esses acordos envolvem pagamento de royalties e taxas de licenciamento. Os custos são incorporados ao preço final dos conjuntos licenciados.
Linhas baseadas em propriedades intelectuais costumam ter preços superiores aos de temas próprios da marca.
Os conjuntos permanecem em produção por cerca de dois anos. Após a retirada do catálogo, passam a circular no mercado secundário.
Dependendo da demanda, podem manter entre 50% e 75% do valor original. Em casos específicos, caixas lacradas ou minifiguras raras alcançam valores muito superiores ao preço inicial.
A combinação de marca forte, precisão industrial, investimento em novos materiais, portfólio licenciado e apelo colecionável ajuda a explicar por que a LEGO possui preços acima da média do setor de brinquedos.