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O que James Cameron viu em Billie Eilish — e vice-versa

O diretor de Avatar co-dirigiu o filme de concerto em 3D da cantora, filmado em julho de 2025 em Manchester. O resultado chegou aos cinemas em 8 de maio com 94% de aprovação no Rotten Tomatoes

Billie e James Cameron: filme de concerto feito em parceria já é o terceiro mais rentável (Karwai Tang/WireImage/Getty Images)

Billie e James Cameron: filme de concerto feito em parceria já é o terceiro mais rentável (Karwai Tang/WireImage/Getty Images)

Publicado em 14 de maio de 2026 às 05h46.

A primeira mensagem de James Cameron sobre o projeto foi um e-mail. O destinatário não era Billie Eilish, mas sim Maggie Baird, mãe da cantora e amiga da esposa do diretor. No texto, Cameron já tinha a ideia completa. Faltava só um "sim".

"Ele literalmente já tinha tudo pronto. Ele disse: 'Por que ninguém filmou o show da Billie em 3D? A gente pode? Eu posso?'", contou a cantora na première do filme, no dia 6, em Los Angeles. "Onde aquilo surgiu, como ele pensou nisso? Não faço ideia, mas graças a Deus ele pensou."

A ideia, o processo e a sala de edição

O filme foi gravado em julho de 2025, ao longo de quatro shows consecutivos da cantora no Co-op Live Arena, em Manchester.

Cameron e Eilish passavam o início de cada dia no soundcheck, coreografando o que tentariam capturar à noite, movendo as câmeras a cada show para conseguir a cobertura necessária.

Mas foi na edição que a colaboração se aprofundou de verdade. Segundo Cameron, ele e a canotra passavam até sete horas juntos para fazer a passagem de som.

Como Taylor Swift e Billie Eilish fizeram dos filmes uma nova mina de ouro

"Foi aí que comecei a entender a percepção de Billie sobre sua relação com o público e o quanto isso era significativo para ela. Acho que essa foi a verdadeira colaboração", disse Cameron. "O que você precisa entender sobre Billie é que ela sabe exatamente o que está fazendo como artista. Eu filmei, mas ela criou o show. Como minha co-diretora, ela já tinha feito grande parte do trabalho antes mesmo de eu aparecer."

'Ela é como um diapasão'

A frase mais memorável do processo veio durante as gravações.

"Ela está em movimento constante. Às vezes está apenas correndo pelo palco, que tem cerca de metade do tamanho de um campo de futebol americano. E as pessoas não estão apenas escutando passivamente — é como se ela tivesse 20 mil backing vocalists. É uma experiência coletiva profundamente comovente, e ela é como um diapasão no centro de tudo isso", disse Cameron.

A imagem voltou dentro do próprio filme: em um momento nos bastidores, Cameron diz a Eilish diretamente. "Você é como um diapasão, e eles estão tocando exatamente as mesmas notas."

O diapasão é um instrumento metálico em forma de forquilha, usado para produzir uma nota musical fixa. Ao ser golpeado ou vibrado, suas duas hastes oscilam em uma frequência constante e precisa, que serve como referência para afinar instrumentos, testar a audição ou realizar experimentos acústicos.

O que Billie aprendeu com Cameron

A troca foi de mão dupla. Cameron disse ter compreendido melhor a importância dos fãs de Billie Eilish. Ela, por sua vez, afirmou ter aprendido muito sobre direção para o cinema — em contraposição à direção para uma plateia ao vivo.

É a primeira vez que Cameron divide o crédito de direção desde Aliens of the Deep, em 2005.

Nos cinemas — e nos números

O filme estreou na sexta-feira, 8, nos Estados Unidos, distribuído pela Paramount Pictures, e recebeu 94% de aprovação no Rotten Tomatoes com base em 62 avaliações de críticos, com nota média de 7,8/10.

O consenso do site foi que o filme "dirigido com flair cinético por James Cameron, não desvenda a arte de Billie Eilish — ele deixa seus fãs mergulharem nela em múltiplas dimensões."

No fim de semana de estreia, o filme arrecadou US$ 7,5 milhões nos Estados Unidos e US$ 20,1 milhões globalmente — igualando o orçamento de produção de US$ 20 milhões já na primeira semana. Cerca de 88% do público assistiu na versão em 3D.

O filme de Eilish é o terceiro maior resultado doméstico de abertura para um filme de concerto nesta década, atrás apenas de "Eras Tour", de Taylor Swift, e "Renaissance", de Beyoncé, ambos de 2023.

O que une um diretor de 71 anos obcecado por tecnologia 3D e uma cantora de 24 anos com dois Oscars? Um e-mail. E a ideia de que ninguém havia tentado aquilo antes.

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