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Netflix tem lucro de US$ 3,4 bi no trimestre, mas guidance decepciona Wall Street

No pós-mercado desta quinta-feira, as ações da companhia despencavam quase 8%

A grande dúvida que paira sobre Wall Street é o plano da Netflix de gastar US$ 82,7 bilhões para absorver a Warner Bros. (Imagem gerada por IA/Freepik)

A grande dúvida que paira sobre Wall Street é o plano da Netflix de gastar US$ 82,7 bilhões para absorver a Warner Bros. (Imagem gerada por IA/Freepik)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 16 de julho de 2026 às 17h48.

Última atualização em 16 de julho de 2026 às 17h56.

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A Netflix (NFLX) encerrou o segundo trimestre de 2026 com um lucro líquido de US$ 3,4 bilhões. O lucro por ação (EPS) foi de US$ 0,80, ligeiramente acima das estimativas de Wall Street (que previam US$ 0,79).

A gigante do streaming divulgou os resultados financeiros nesta quinta-feira, 16. A receita do segundo trimestre de 2026 foi de US$ 12,56 bilhões — uma alta de 13% em comparação anual, porém ligeiramente abaixo dos US$ 12,58 bilhões esperados pelos analistas.

Apesar dos resultados de lucro sólidos no trimestre, o mercado reage com cautela: para o trimestre atual (Q3 2026), as projeções da Netflix decepcionaram. A empresa prevê receita de US$ 12,86 bilhões e lucro diluído por ação de US$ 0,82, enquanto Wall Street esperava vendas de US$ 13 bilhões e EPS de US$ 0,84.

Além disso, a tentativa frustrada de adquirir os ativos da Warner Bros. Discovery (vencida pela Paramount) continua pesando na percepção estratégica dos investidores. No pós-mercado desta quinta-feira, as ações da companhia despencavam quase 8%.

Netflix reduz transparência em horas de exibição

Em carta aos acionistas, a Netflix confirmou que estreitou o intervalo de projeção de receita para o acumulado de 2026 entre US$ 51 bilhões e US$ 51,4 bilhões (um crescimento de 13% a 14%), além de manter a meta de margem operacional de 31,5% e elevar a perspectiva anual de fluxo de caixa livre para US$ 12,5 bilhões.

A notícia do dia, porém, foi a mudança estratégica na divulgação de dados: a Netflix anunciou que reduzirá a publicação do relatório semestral de engajamento (horas assistidas) para apenas uma vez ao ano, a partir de janeiro de 2027, para priorizar métricas financeiras tradicionais.

O engajamento na plataforma segue em níveis saudáveis, com acúmulo de 97 bilhões de horas assistidas no primeiro semestre de 2026 (um aumento de 1,9% ante o primeiro semestre do ano anterior). Os grandes motores de audiência no trimestre incluíram a nova temporada de Treta, o drama criminal I Will Find You e a animação infantil Swapped.

Novos formatos, expansão ao vivo e publicidade

A retenção e atração de assinantes em mercados regionais continua: a receita da América Latina registrou crescimento esperado de 15,1%. Na busca de capturar o engajamento que costuma ir para rivais como YouTube e TikTok, a Netflix investiu recentemente na inserção de podcasts e conteúdos de criadores independentes, como Danny Go! e Salish & Jordan Matter, além de parcerias de estilo de vida com Condé Nast, Hearst e People.

Nos eventos ao vivo, a estratégia de "espetáculo" acelera o passo. A empresa aposta na grade expandida de transmissões da NFL para o fim do ano, o que deve atrair os dólares do mercado publicitário tradicional.

O modelo de negócios baseado em anúncios, que se expandiu nos últimos trimestres, consolidou-se como pilar para expandir as margens operacionais. A Netflix reiterou a projeção anterior de que a receita publicitária deve atingir a marca histórica de US$ 3 bilhões até o final de 2026.

A meta está ancorada na rápida escalada de sua base de usuários: os planos com suporte a anúncios já alcançam mais de 250 milhões de usuários ativos mensais no mundo. A companhia mira agora em melhorias na oferta de anúncios programáticos e pacotes de assinatura integrados para manter a tração frente aos concorrentes.

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