Matt Damon: ator estrela o filme 'Dinheiro Suspeito' na Netflix (Weiss Eubanks/NBCUniversal/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 10h44.
Os atores MattDamon e Ben Affleck comentaram publicamente o debate sobre cultura do cancelamento em Hollywood durante a divulgação do novo filme da dupla, 'Dinheiro Suspeito'.
Os dois participaram do podcast The Joe Rogan Experience, no qual o apresentador citou a ideia de que “uma coisa que você disse ou fez” pode ser levada ao extremo e resultar em um banimento social permanente.
Ao concordar com Rogan de que a cultura do cancelamento é um conceito “maluco”, Damon afirmou que, em alguns casos, pessoas do meio artístico talvez preferissem cumprir uma pena de prisão a enfrentar um cancelamento por toda a vida.
“Eu aposto que algumas dessas pessoas teriam preferido ir para a cadeia por 18 meses ou algo assim e depois sair dizendo: ‘paguei minha dívida, acabou, podemos encerrar isso?’”, disse o ator. Segundo ele, o problema da exposição pública desse tipo é que ela “nunca termina” e acompanha a pessoa “até o túmulo”.
Ben Affleck seguiu a mesma linha e comparou a cultura do cancelamento a um “instinto de sexta série”, quando alguém aponta o dedo e diz: “olha, ele está encrencado”.
Para o ator, seres humanos também têm impulsos sombrios de isolar outras pessoas ou sentir satisfação com o problema alheio, muitas vezes como forma de se proteger. “Se você consegue apontar o dedo, todo mundo olha para lá e a gente se sente mais seguro”, afirmou.
Affleck acrescentou que retirar qualquer possibilidade de perdão do processo torna tudo ainda mais problemático. Segundo ele, isso inviabiliza o reconhecimento de erros. “Não importa o que você faça, depois que admite, vira um pária”, disse. “E acho que ninguém quer pensar que quem você é o seu pior momento.”
Damon também falou a partir de experiência própria. Em 2021, o ator enfrentou críticas após dizer ao Sunday Times, do Reino Unido, que havia parado de usar um termo ofensivo contra homossexuais apenas alguns meses antes, depois de receber da filha “um texto muito longo e bonito” explicando por que a palavra era perigosa.
Mais tarde, em um comunicado ao The Hollywood Reporter, o ator esclareceu que nunca usou o insulto de forma pessoal. “Nunca chamei ninguém por esse termo na minha vida pessoal, e essa conversa com minha filha não foi um despertar pessoal”, afirmou.
No mesmo texto, Damon disse que não utiliza xingamentos e que aprendeu que combater o preconceito exige ação ativa em direção à justiça, e não conforto passivo. Ele também declarou apoio à comunidade LGBTQ+, reconhecendo que a hostilidade aberta contra esse grupo ainda é comum e que entende por que suas declarações anteriores geraram interpretações negativas.