Gustavo de Paiva, Felipe Andrade e Pedro Smolka, do Janela Bar: expansão de 30% prevista para este ano (Divulgação/Divulgação)
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Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 10h43.
Verão, Carnaval, Copa do Mundo e feriados: é nessa sequência de eventos que o Janela Bar vai apostar em 2026. A rede de coquetelaria nascida em Curitiba projeta faturar R$ 60 milhões em 2026, uma alta de 30% em relação à estimativa de R$ 45 milhões em 2025.
Um dos focos da empresa para alcançar esses números é acelerar a abertura de franquias para aproveitar o ciclo de consumo mais aquecido dos últimos anos.
Só que antes da expansão nacional, o Janela Bar começou como quase todo negócio independente no Brasil: com pouco dinheiro, nenhuma estrutura e um empreendedor que decidiu trocar as agências por uma rotina de madrugada no CEASA (Central Estadual de Abastecimento, em Curitiba).
Gustavo de Paiva, hoje CMO da marca, é designer de formação e trabalhou por anos criando apresentações, vídeos e marcas para outras empresas. Depois de tentar empreendimentos em tecnologia e comunicação, percebeu que queria construir algo próprio. “Eu fazia vídeo para os outros. Eu queria ser o contratado, não o prestador”, explica.
Para pagar as contas enquanto estruturava a ideia, voltou a trabalhar com o pai no CEASA, onde já tinha passado boa parte da juventude. Ao lado dos sócios Pedro e Felipe, passou a desenhar um negócio no setor de gastronomia — mesmo sem nenhuma experiência anterior com bares ou restaurantes.
Em 2016, montaram o primeiro negócio juntos: o Gards, um rooftop em Curitiba.
“A gente vendia drinks de R$ 40 no Gard. Foi nesse momento que percebemos que dava para entregar qualidade com custo-benefício, só que direto na rua”, lembra.
Um ano depois, veio o Janela. Com 40 metros quadrados, coquetéis servidos da calçada e a cozinha alugada do restaurante vizinho, os três tinham um objetivo: tornar a coquetelaria mais acessível.
Rapidamente, o Janela virou ponto de encontro em Curitiba. O conceito de coquetelaria de rua caiu no gosto do público, e em um ano o time comprou o ponto vizinho e ampliou o espaço. Pouco tempo depois, já estavam criando bares pop-up e testando outros formatos.
Durante a pandemia, o trio resolveu usar o período de baixa para estruturar o modelo de franquias — mesmo sem saber se o risco daria certo. “A franquia é um negócio que, se você quer ser grande, já tem que começar grande. Não dá para fazer tudo no improviso. A gente montou equipe e estrutura antes mesmo de saber se ia funcionar”, diz Gustavo.
Em 2022, a primeira unidade franqueada foi aberta. Hoje, já são 28 em operação. Além dos drinks, o Janela também investiu pesado em hambúrgueres, porções e delivery. De acordo com Gustavo, algumas unidades faturam até R$ 100.000 por mês só com entregas.
O payback médio é de 14 meses — com histórico de retorno em até seis. Com a Copa e o calendário favorável em 2026, a rede espera encurtar esse prazo.
A Copa do Mundo de 2026, com jogos em horários estratégicos para o Brasil, será o grande motor do crescimento do ano que vem. Até o fim do ciclo, a marca espera atingir 45 operações em funcionamento. Para isso, está oferecendo descontos na taxa de franquia para quem fechar até dezembro, prazo que ainda permite que a loja seja inaugurada antes do carnaval.
“2026 vai ser o melhor ciclo da nossa história. A gente nunca teve uma sequência como essa: verão, carnaval, Copa e ainda um monte de feriados no calendário. Historicamente, a Copa já aumenta nosso faturamento em mais de 40%. Agora, com mais unidades, mais estrutura e mais marketing, a gente está muito preparado para aproveitar tudo isso”, afirma o empresário.
Segundo Gustavo, o fato de o torneio ser realizado em junho e julho — meses normalmente mais fracos para bares — deve manter o ritmo alto de faturamento mesmo fora do verão. “Historicamente, nosso faturamento sobe mais de 40% durante a Copa. Em 2026, com mais unidades e mais estrutura, a expectativa é um crescimento médio de 30% na rede”, afirma.
Cada franquia será transformada em um ponto oficial de torcida. A franqueadora já prepara kits com cardápios temáticos, decoração, campanhas e eventos pós-jogo. Um dos lançamentos será o chope verde e amarelo, além de drinks com ingredientes brasileiros, como jambu e licor de banana.
Atualmente, o Janela aposta em uma operação 3 em 1: bar, cozinha e delivery, com marketing contínuo e novidades mensais. O modelo permite escalar tanto em grandes centros como em cidades médias — e explorar diferentes perfis de consumidor. O foco da expansão está em regiões com clima quente e potencial de consumo noturno, como Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e estados do Nordeste.
Além do Janela Bar, também faz parte do Grupo Rua a Soft Ice Cream, rede de sorvetes artesanais, que teve participação adquirida em 2023. As marcas já realizaram campanhas conjuntas, como uma collab de cardápio, e fazem ações coordenadas de marketing.
No verão de 2026, a assinatura do grupo será “caliente”, inspirada na cultura latina e em tendências de consumo como música urbana e gastronomia tropical. O empreendedor avalia que o momento ideal para abrir uma franquia do Janela Bar é agora.
“Quem abrir até o carnaval, pega o melhor ciclo do mercado: verão, carnaval e Copa”, afirma Gustavo.