Gen Z: levantamento da UCLA indica que adolescentes seguem consumindo filmes e séries, mas buscam personagens, conflitos e relações que reflitam suas próprias experiências
Freelancer
Publicado em 6 de julho de 2026 às 13h11.
A ideia de que adolescentes trocaram o cinema pelas redes sociais ganhou um novo contraponto. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) mostra que os jovens continuam consumindo filmes e séries com frequência. A diferença está no tipo de história que desejam acompanhar: personagens, relações e conflitos que se aproximem da vida real.
O levantamento ouviu 1.500 pessoas entre 10 e 24 anos nos Estados Unidos. Entre os entrevistados, 57% afirmaram assistir a mais filmes e séries do que os adultos imaginam. O estudo também mostra que esse público consome o conteúdo de maneiras diferentes, principalmente em celulares, tablets e notebooks. Além disso, 78% disseram assistir a produções pelo menos algumas vezes por plataformas como YouTube e TikTok.
Outro dado chama atenção: mais da metade dos participantes afirmou conversar mais sobre filmes e séries com os amigos do que sobre conteúdos vistos nas redes sociais.
Depois de uma edição anterior da pesquisa apontar preferência por universos de fantasia, o cenário mudou. Os adolescentes disseram que desejam histórias inspiradas em experiências do cotidiano, com personagens que enfrentem desafios semelhantes aos seus.
Os pesquisadores afirmam que esse interesse cresceu de forma significativa em relação ao ano anterior, indicando uma busca maior por identificação com o que aparece na tela.
As relações de amizade aparecem entre os elementos mais valorizados pelo público pesquisado. Cerca de 60% dos entrevistados disseram querer mais produções em que as amizades sejam o centro da narrativa. Também houve preferência por amizades entre pessoas de gêneros diferentes que permaneçam como amizade ao longo da história, sem necessariamente evoluir para um romance.
“Do ponto de vista do desenvolvimento e da neurociência, eles estão realmente focados em aprender a ser amigos”, disse Yalda T. Uhls, autora principal do estudo e fundadora e diretora executiva do Centro de Acadêmicos e Contadores de Histórias da UCLA. “Eles querem ter um reflexo preciso de sua realidade.”
Esse perfil ajuda a explicar o sucesso de produções como "Stranger Things", "Wandinha" e até "Bob Esponja", que ocupam posições de destaque entre os títulos mais lembrados pelos participantes da pesquisa.
Segundo o relatório, séries centradas em romances, como "The Vampire Diaries" e "O Verão que Mudou Minha Vida", aparecem em posições mais baixas entre as preferências dos entrevistados.
A pesquisa também mostra um desgaste com fórmulas repetidas. Triângulos amorosos, relacionamentos tóxicos apresentados como ideal romântico e histórias baseadas principalmente na atração física perderam força entre os adolescentes.
Para a pesquisadora, os resultados ajudam a indicar quais narrativas têm maior potencial para atrair esse público aos cinemas e às plataformas de streaming. "Há poucas produções que realmente despertem esse nível de interesse. Quando surge algo como "Wicked", que valoriza as amizades, ou "Barbie", que também explora esse tema, os jovens fazem questão de assistir", afirmou."