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'Elize: Sombras de Uma Mulher': diretor revela os desafios de adaptar a história sob olhar da ficção

Produção estrelada por Lorena Comparato reúne suspense psicológico e drama para reconstruir um dos crimes de maior repercussão do país

'Elize: Sombras de Uma Mulher': longa aposta na ficção para explorar a personalidade de Elize Matsunaga sem alterar os fatos conhecidos do caso (Divulgação/Netflix)

'Elize: Sombras de Uma Mulher': longa aposta na ficção para explorar a personalidade de Elize Matsunaga sem alterar os fatos conhecidos do caso (Divulgação/Netflix)

Publicado em 21 de julho de 2026 às 14h17.

Última atualização em 21 de julho de 2026 às 15h55.

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O assassinato de Marcos Matsunaga foi um dos crimes de maior repercussão da história recente do Brasil. Agora, a história retorna aos holofotes com "Elize: Sombras de Uma Mulher", filme que estreia nesta quarta-feira, 22, na Netflix e promete apresentar uma leitura ficcional do crime que mobilizou o país.

A proposta do filme

Diferentemente da série documental lançada pela plataforma em 2021, o novo longa aposta na linguagem da ficção para mergulhar na trajetória de Elize Matsunaga. A direção é de Felipe Vellas, o roteiro é de Raphael Montes e Mariana Torres. A atriz Lorena Comparato assume o papel principal.

Segundo Vellas, o objetivo nunca foi alterar acontecimentos conhecidos do público. "O que aconteceu você não pode mudar."

Em entrevista ao Tela Viva, o diretor afirmou que a ficção oferece espaço para explorar aspectos emocionais e psicológicos dos personagens, preservando os fatos centrais do caso.

"True crime tem umas regras. O que aconteceu você não pode mudar, vai tentar contar o mais próximo possível. É cronologia dos fatos, quem estava no local, cor de carro, roupa. Agora, tudo que eu podia ficcionalizar, eu ficcionalizava com os roteiristas. Eu não sei quais eram os diálogos que tinham no casamento deles, na festa que foram. Então ali é totalmente ficcionalizado, em cima de um desenho dos personagens", disse o diretor.

Um suspense psicológico

O longa, que foi construído como um suspense psicológico, concentra a narrativa na relação entre Elize e Marcos Matsunaga e na sequência de decisões que culminaram no crime.

Raphael Montes já havia definido o projeto como uma oportunidade de discutir temas como classe social, ambição e violência, além de investigar a complexidade da protagonista.

Na época do anúncio do filme, o escritor afirmou: "Foi um enorme desafio criar uma história que discute assuntos tão relevantes enquanto mergulha fundo na mente de Elize, na complexa relação dela com Marcos e nas escolhas que culminaram em um dos crimes mais chocantes do país."

Ao Omelete, o roteirista alegou que o filme ajuda o público a refletir além da binariedade. "Nós, o público, temos muita tendência de dar respostas fáceis: ou ela é uma grande vilã, ou uma grande vítima. A ficção nos oferece a possibilidade de levantar mais perguntas, em vez de ficar dando as respostas fáceis. Ela é vítima e também é a assassina que esquartejou o marido, que manipulou a família depois. Essa espécie de ambiguidade dela só pode ser explorada numa história de ficção."

O desafio de interpretar Elize

Para Lorena Comparato, dar vida à personagem exigiu um cuidado especial por se tratar de uma história real que permanece viva na memória dos brasileiros.

A atriz definiu o trabalho como um grande desafio e destacou a responsabilidade envolvida na produção. "Interpretar uma mulher com tantas camadas e uma história cheia de nuances como a da Elize é extremamente complexo para uma artista. Exige muita responsabilidade, pois a gente está falando de um crime real com consequências reais", revelou Comparato à Netflix.

Relembre o caso

O caso aconteceu em maio de 2012, quando Elize Matsunaga matou o empresário Marcos Matsunaga, herdeiro da marca Yoki, no apartamento onde o casal morava, em São Paulo. Depois do crime, ela esquartejou o corpo e distribuiu os restos mortais em diferentes pontos da Grande São Paulo.

Condenada em 2016 a 19 anos e 11 meses de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, Elize deixou a prisão em 2022 após obter progressão para o regime aberto. O caso voltou ao centro das discussões em 2021, quando a Netflix lançou a série documental "Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime", marcada pela primeira entrevista concedida por ela desde a condenação.

Confira o trailer de 'Elize: Sombras de Uma Mulher':

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