Glitter, de Mariah Carey: lançado em 11 de setembro de 2001, disco foi considerado maior fracasso da carreira da cantora
Editor de Invest
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 05h00.
Um anúncio do álbum Glitter, oitavo trabalho de estúdio da cantora Mariah Carey, é visto em um outdoor em Nova York com um detalhe trágico ao fundo: as torres gêmeas do World Trade Center em chamas. A imagem foi registrada no dia do ataque terrorista que deixou quase 3.000 mortos, em 11 de setembro de 2001. Era uma divulgação do disco que estava sendo lançado justamente naquela data. Uma coincidência infeliz que contribuiu para o fracasso comercial da obra e um dos piores momentos da carreira da diva pop.
Após uma década inteira de recordes e hits em 1º lugar nos anos 90, Glitter se tornou o disco de menor venda de Mariah Carey até então. O single "Loverboy" chegou ao segundo lugar da Billboard Hot 100 e o álbum estreou em sétimo na Billboard 200. Para uma artista acostumada a emplacar números 1 com facilidade, esse desempenho era lido como fracasso na época, e foi motivo suficiente para a gravadora questionar sua permanência no selo. Para piorar, era a trilha sonora de um filme protagonizado pela própria cantora, um desastre de crítica que rendeu à Mariah o "Framboesa de Ouro" de pior atuação naquele ano.
O álbum tinha custado algo em torno de US$ 31 milhões à Virgin Records, segundo estimativas de publicações especializadas, enquanto as vendas globais renderam menos que a metade disso, algo em torno de US$ 12 milhões a US$ 14 milhões.
Mariah Carey foi demitida da gravadora, que pagou à cantora uma multa de US$ 28 milhões. O episódio coincidiu com uma crise pessoal. Mariah tinha se separado há poucos anos de Tommy Mottola, o todo-poderoso da indústria musical e à época CEO da Sony Music. O empresário comprou o direito de melodias que seriam originalmente usadas no álbum Glitter e usou como base em músicas lançadas no mesmo ano por Jennifer Lopez. Virou meme o trecho de uma entrevista em que Mariah é questionada sobre o que achava da cantora/atriz latina. "I don't know her", respondeu, sem mais delongas.
Anúncio do álbum com Torres Gêmeas em chamas: imagem viralizou
Quase duas décadas depois, o mesmo disco viveu uma reviravolta improvável. Em novembro de 2018, os fãs de Mariah Carey, que se autodenominam "Lambs", lançaram nas redes sociais a campanha com a hashtag #JusticeForGlitter, um movimento para reabilitar a trilha sonora e pressionar a cantora a voltar a apresentar as músicas nos shows. O gesto foi organizado às vésperas do lançamento de Caution, então o novo álbum de estúdio de Mariah, e transformou o antigo fracasso em símbolo de resgate.
Impulsionado pela onda de streams e downloads, Glitter chegou ao 1º lugar da parada de álbuns do iTunes nos Estados Unidos em 15 de novembro de 2018, mais de 17 anos após o lançamento original, e voltou às paradas da Billboard. A própria Mariah celebrou o feito nas redes sociais e, na sequência, passou a incluir um medley das faixas de Glitter em suas apresentações, encerrando anos de distanciamento da obra que quase interrompeu sua carreira.
I have to dedicate today's #tbt to Glitter, which is currently #1 on the iTunes albums chart, 17 years after its release and on the eve of my new album release! My fans are THE BEST 💖💖💖 #JusticeForGlitter!! LET'S GO #CAUTION⚠️ pic.twitter.com/i2v8Zkp1oy
— Mariah Carey (@MariahCarey) November 15, 2018
Este ano, essa reabilitação ganhou seu capítulo mais simbólico. Mariah Carey anunciou a edição comemorativa de 25 anos de Glitter, com lançamento marcado para o próximo dia 30 de outubro pela Def Jam Records. É a primeira vez que a trilha sonora ganha uma prensagem em vinil desde o lançamento original de 2001.
O relançamento chega em formatos que incluem edições limitadas em diferentes cores, além de uma versão digital deluxe expandida com faixas adicionais, entre raridades e gravações inéditas do acervo da cantora.
A campanha foi aberta com uma nova versão da faixa "Didn't Mean to Turn You On", reimaginada em parceria com a cantora Rochelle Jordan.
Ao comentar o relançamento, Mariah reconheceu o quanto a percepção sobre o disco mudou ao longo do tempo. Ela afirmou que jamais teria acreditado, em 2001, que um dia celebraria o aniversário de Glitter "sem ironia".
A cantora disse ter feito o álbum com muito cuidado e carinho, o que tornou devastador vê-lo virar motivo de piada, e agradeceu aos fãs que defenderam a obra ao longo dos anos, na esperança de que mais pessoas pudessem ouví-lo.
Vinte e cinco anos depois, Glitter parece fechar um ciclo: do lançamento que coincidiu com uma das piores tragédias da humanidade ao álbum que virou "cult" graças à segunda chance dada pelos Lambs.