Perdão: estudo global associa prática a melhora no bem-estar e na saúde mental (Freepik)
Redatora
Publicado em 10 de abril de 2026 às 05h53.
O hábito de perdoar pode estar associado a maior sensação de bem-estar ao longo do tempo. Pelo menos é o que trata o estudo conduzido por pesquisadores da Harvard University. A pesquisa analisou dados de mais de 200 mil pessoas em 22 países e identificou uma relação entre o perdão frequente e melhorias, sobretudo na saúde mental.
Os resultados foram publicados na revista npj Mental Health Research, do grupo Nature, e indicam que os efeitos aparecem principalmente no campo psicológico, além de influenciar comportamentos sociais e aspectos ligados ao caráter.
Para o estudo, o hábito foi analisado como uma característica contínua, chamada de “perdão disposicional”, que representa a tendência de perdoar ao longo do tempo em diferentes situações. Essa abordagem permite avaliar o impacto do comportamento de forma mais ampla, considerando hábitos recorrentes, e não apenas episódios isolados.
Os dados mostram que o perdão está associado a maior sensação de felicidade e a menores níveis de problemas de saúde mental, como a depressão.
De acordo com o pesquisador Richard Cowden, os efeitos também envolvem mudanças em atitudes, como maior gratidão e disposição para agir de forma positiva em relação aos outros.
Apesar da associação geral entre perdão e bem-estar, os resultados não foram uniformes entre os países analisados.
O estudo cita a África do Sul como um dos países com maiores níveis de perdão, enquanto Japão e Turquia aparecem entre os níveis mais baixos.
A justificativa para as diferenças nos resultados envolve fatores culturais, sociais e econômicos de cada região— como desigualdade, violência e condições de vida.
O estudo também sugere que, em sociedades em que o perdão é amplamente incentivado ou esperado culturalmente, seus impactos podem ser menos perceptíveis, já que o comportamento tende a ser mais comum entre os indivíduos.
Além dos efeitos psicológicos, o estudo também identificou mudanças relacionadas ao comportamento social e ao caráter. Em alguns casos, o perdão esteve associado a atitudes mais colaborativas e ao fortalecimento de relações interpessoais.
Embora a associação geral não seja considerada forte, os autores destacam que os efeitos não são desprezíveis, especialmente quando analisados em escala populacional.
Com isso, os pesquisadores ressaltam que o perdão é um comportamento que pode ser desenvolvido ao longo do tempo e, quando praticado de forma recorrente, pode contribuir para melhorias na qualidade de vida e nas relações sociais.